Foi o tiro esportivo, em 1920, que deu as primeiras medalhas olímpicas ao Brasil. Demorou quase um século para que o país voltasse ao pódio da modalidade, feito que coube a Felipe Wu na Rio 2016. O paulistano, curiosamente, recebeu uma prata, como a medalha que iniciou a história olímpica brasileira na cidade belga da Antuérpia.

Embora o Brasil tenha deixado a Bélgica com uma medalha de cada cor, foi a prata de Afrânio da Costa que, cronologicamente, foi a primeira conquistada pelo pais na Antuérpia. Foi no dia 2 de agosto de 1920 que o advogado, empunhando uma Colt 22, terminou com a segunda colocação na prova de pistola livre em distância de 50 metros. Seus 489 pontos lhe deixaram atrás apenas do americano Alfred Lane.

Felipe Wu celebra a prata na pista de ar 10 metros

Wander Roberto/Exemplus/COB

Felipe Wu celebra a medalha de prata na pista de ar 10 m na Rio 2016

A prata que levou o Brasil pela primeira vez ao pódio olímpico não foi a única medalha de Afrânio na Antuérpia.  Nascido em Macaé, no Rio, o advogado integrou ainda o time que conquistou o bronze na pistola livre de 50 metros por equipes. Voltaria ainda aos Jogos mais de uma década depois, como chefe da equipe de tiro em Los Angeles 1932. O melhor resultado foi o 13° lugar de Eugênio do Amaral na pistola de tiro rápido de 25 metros.

Um episódio da longa viagem que levou os atiradores brasileiros até a Antuérpia é alvo de controvérsia. É famosa a história de que os atletas teriam sido roubados em uma parada da viagem em Bruxelas. Afrânio teria conseguido armas e munição emprestadas dos rivais americanos. Em entrevista à professora e jornalista Katia Rubio, autora do livro “Atletas Olímpicos Brasileiros” (Sesi-SP, 648 páginas), a neta de Guilherme Paraense, medalhista de ouro nos Jogos, afirmou que o episódio nunca aconteceu.

Afrânio, que teve sua vida esportiva fortemente ligada ao Fluminense – foi atleta e diretor de tiro do clube – participou também de um momento histórico do futebol: foi o chefe de delegação da seleção brasileira na primeira Copa do Mundo, disputada em 1930, no Uruguai.

Afrânio da Costa formou-se advogado e tornou-se juiz em Brasília e chegou a participar de sessões do Supremo Tribunal Federal sem jamais ter sido ministro de forma efetiva. Morreu em 1979, no Rio de Janeiro, aos 87 anos.

Rodrigo Borges

Rodrigo Borges

Editor

Jornalista desde 1997, com passagens por Lance!, Destak e ESPN. Mora desde 2015 em Londres, onde trabalha como freelancer para diversas publicações brasileiras, função que já exerceu também em Nova York. É um dos cofundadores do Bikpek.

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