Boxe argentino

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Avendano, Casanovas e Perez (a partir da esquerda): estrelas do boxe olímpico argentino no século 20

A exemplo do que aconteceu no Brasil, o boxe desembarcou na Argentina no fim do século 19, vindo da Europa, por intermédio de marinheiros, que já conheciam esta prática esportiva criada na Inglaterra.

A diferença é que os argentinos levaram a modalidade rapidamente para as classes sociais menos favorecidas. E foi de lá, da região portuária de Buenos Aires, que o boxe logo se tornou popular e ganhou muitos adeptos.

Não demorou para que a nova modalidade se transformasse no principal esporte olímpico dos argentinos. De Amsterdã 1928 a Helsinque 1952, a Argentina conquistou um total de 30 medalhas, com o boxe sendo responsável por nada menos do que 20 pódios.

Destaque para Victor Avendaño (peso meio-pesado), Arturo Rodriguez (pesado), Carmelo Robledo (pena), Oscar Casanovas (pena) e principalmente Pascual Perez (mosca), apontado por muitos críticos como o melhor pugilista argentino de todos os tempos.

Victor Avendaño foi o primeiro argentino a ganhar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos, ao ficar em primeiro lugar em Amsterdã 1928, aos 20 anos de idade, após cinco anos de carreira. Como profissional, disputou nove lutas e virou juiz em 1945, atuando até 1979.

Aos 22 anos, Oscar Casanovas também subiu no lugar mais alto do pódio, Foi nos Jogos de Berlim 1936. Casanovas se tornou um dos pugilistas mais carismáticos e famosos da Argentina. Virou nome de um dos torneios mais importantes de boxe no país e ainda foi treinador de Victor Galindez, um dos pugilistas mais importantes de todos os tempos.

Arturo Rodriguez, além da medalha de ouro na categoria peso pesado em Amsterdã 1928, foi também capitão da seleção argentina de rúgbi.

Pascual Perez enfrenta o italiano Bandinelli na final do boxe em Londres 1948

Reprodução/El Grafico

Nenhum dos grandes astros argentinos superou Pascual Perez. Campeão olímpico e mundial, é considerado um dos maiores nomes da história do boxe. Perez (de branco, à esq.) estreou em 1944, aos 18 anos, e após 125 vitórias e 15 títulos conquistados, foi ouro olímpico em Londres 1948 . Tudo isso só com 1,52 m.

Com a entrada dos países da “cortina de ferro”, especialmente União Soviética, Polônia, Romênia e por fim Cuba, o duelo pelo pódio olímpico se tornou mais intenso. Além disso, os argentinos passaram a se profissionalizar mais rapidamente, encurtando a carreira amadora. A busca era por dinheiro, afinal a grande maioria dos praticantes vinham de famílias muito pobres.

Nos últimos 60 anos, apenas quatro medalhas olímpicas foram conquistadas pelo boxe argentino, que não sobe no pódio desde Atlanta 1996, com o bronze de Pablo Chacón. Curiosamente, nesta mesma edição dos Jogos ele dividiu o terceiro lugar – no boxe olímpico são distribuídas duas medalhas de bronze – com o americano Floyd Mayweather Jr, o midiático campeão mundial em cinco categorias profissionais diferentes.

Apesar de enfraquecido o boxe olímpico argentino continua tendo destaque no quadro de medalhas da modalidade. A Argentina é o nono país com mais medalhas: 24, sendo sete ouros, sete pratas e 10 bronzes. O boxe é responsável por 34,7% dos pódios olímpicos da Argentina na história dos Jogos.

A migração para o boxe profissional também garantiu sucesso para os argentinos, que somam 40 campeões mundiais. O Brasil só tem quatro. Além de Pascual Perez, nomes como os de Carlos Monzón, Nicolino Locche, Victor Galindez, Horacio Accavallo, Julio Cesar Vasquez e Jorge Castro se tornaram lendas nos ringues espalhados por todo o planeta.

Para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, a Argentina confia no talento de cinco nomes já garantidos. São eles: Yamil Peralta, Fernando Martinez, Alberto Melián, Ignacio Perrin e Alberto Palmetta. Resta saber se estes jovens terão capacidade de honrar a história argentina no boxe.

Pablo Chacon é festejado após a medalha de bronze nos Jogos de Atlanta 1996

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Pablo Chacon é abraçado pelos torcedores após conquistar o bronze nos Jogos de Atlanta 1996

Wilson Baldini Júnior

Especial para o Bikpek.

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