Nome completo

Cassius Marcellus Clay Jr.

Nacionalidade

EUA

Nascimento

17/1/1942

Local

Louisville

Morte

3/6/2016

Local

Phoenix

Altura

1,91m

Ouro

1

Prata

0

Bronze

0

Total

1

Participações

Roma 1960

Cartel amador

100 vitórias, 5 derrotas

Cartel profissional

56 vitórias (37 nocautes), 5 derrotas (quatro por pontos)

Carreira

Três vezes campeão mundial dos pesos pesados como profissional

Era início dos anos 1960 quando um garoto de 12 anos teve sua bicicleta furtada em Louisville, Kentucky, cidade onde nascera. Relatou o fato a um policial e disse que gostaria de encontrar e bater no ladrão. Joe Martin, que dava aulas de boxe, disse ao garoto que ele teria melhor chance se afiasse seus punhos. E assim começou a carreira de um campeão olímpico e maior pugilista de todos os tempos: Muhammad Ali.

Muhammad Ali no pódio em Roma 1960

Polish Press Agency

Roma 1960: Ali (centro), Pietrzykowski (direita) e medalhistas de bronze Giulio Saraudi e Anthony Madigan

Ainda usando o nome de Cassius Clay – tornou-se Muhammad Ali ao se converter ao islamismo, em 1964 – Ali entrou para a história olímpica ao chegar ao ouro dos meio-pesados (-81 kg) em Roma 1960. Uma medalha que quase não foi conquistada pelo medo que o melhor pugilista do mundo tinha de voar de avião. Segundo o filho de Joe Martin, Ali teria voado dos Estados Unidos para a Itália usando um paraquedas.

Na final, o adolescente de 18 anos que já havia vencido em Roma dois combates por pontos e um por nocaute, derrotou por decisão dos jurados o experiente polonês Zbigniew Pietrzykowski, que aos 25 anos já havia conquistado a medalha de bronze quatro anos antes, em Melbourne-1956 (veja abaixo os melhores momentos da luta).

Depois do ouro em Roma, virou profissional e lutou até 1981, consolidando seu nome como maior da história de seu esporte.  Seu mais famoso momento foi a Luta do Século, em 1974, em que bateu George Foreman em um estádio com 100 mil pessoas no Zaire (atual República Democrática do Congo). Além da carreira fenomenal, de protagonizar combates históricos contra Joe Frazier, Floyd Patterson, Sonny Liston e o próprio Foreman, tornou-se uma voz importante pelos direitos civis dos negros.

Flutuar como uma borboleta, picar como uma abelha. As mãos dele [o adversário] não podem acertar o que seus olhos não podem ver

Muhammad Ali

Natural de uma região dos EUA que luta até hoje com problemas raciais, Ali teria jogado sua medalha no rio Ohio depois que um restaurante recusou-se a atendê-lo por ser negro. A história, porém, é controversa: segundo Thomas Hauser, autor de “Muhammad Ali: His Life and Times”, o pugilista teria simplesmente perdido a medalha.

Ainda nos anos 1960, Ali não aceitou a convocação para a Guerra do Vietnã. Perdeu a licença de lutador, seu cinturão de campeão e foi condenado a cinco anos de prisão, pena anulada pela Suprema Corte dos EUA em 1971. “Por que eu deveria viajar 10 mil milhas e disparar bombas e balas contra negros do Vietnã quando negros do Kentucky são tratados como cães e a eles são negados simples direitos civis?”. O pugilista foi próximo de figuras importantes como Martin Luther King, Malcolm X e Nelson Mandela.

Eleito atleta do século 20 pela importante revista americana “Sports Illustrated” e personalidade esportiva do século pela rede britânica BBC, Ali foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade, maior honra destinada a um civil dos EUA. Afetado pelo mal de Parkinson desde o início dos anos 1980, foi o responsável por acender a pira em Atlanta 1996, em um comovente momento da história olímpica. Ainda naquela edição dos Jogos, recebeu uma réplica da medalha conquistada em Roma.

Muhammad Ali com a tocha e o time de basquete dos EUA em Atlanta 1996

Arquivo/COI

Ali em Atlanta: acendendo a pira e com o time de basquete dos EUA, com a réplica da medalha de 1960

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