Boxeadores sem capacete no Mundial de 2013

Divulgação/AIBA

No Mundial de 2013, o capacete já deixou de ser usado no masculino

As Olimpíadas Rio 2016 representarão um marco para no boxe olímpico, após a decisão da Aiba (Associação Internacional de Boxe) no início do ano de abolir o uso dos capacetes para os homens a partir desta edição dos Jogos. No feminino, contudo, os capacetes vão continuar a ser utilizados.

Como forma de teste, a Aiba retirou os protetores de cabeça em 2013, buscando tornar o boxe olímpico mais parecido com o boxe profissional.  Na verdade, esta foi uma das atitudes impostas pela entidade, preocupada com as críticas da imprensa e do público por causa da falta de intensidade das lutas “amadoras”.

Os dirigentes da Aiba asseguram que realizaram estudos comprovando que a segurança dos atletas não corre risco sem a utilização do capacete, De acordo com os dados levantados, o número de cortes na cabeça sofridos pelos lutadores caiu com a abolição dos capacetes, que geravam este tipo de lesão.

Robson Conceição, prata e bronze nos dois últimos Campeonatos Mundiais da modalidade na categoria até 60 kg e candidato ao pódio no Rio, faz sua análise. “As mudanças foram muito boas para o público, mas para os pugilistas foi um pouco complicado. Com a remoção do capacete, o boxeador tem uma chance real de levar uma cabeçada. Como o tempo de recuperação é muito pequeno entre as lutas, especialmente entre a semifinal e final, se você tiver um corte na sobrancelha, por exemplo, e você precisar de pontos, você será automaticamente eliminado”, afirmou.

Segundo Conceição, a retirada do capacete significará, no fundo, uma modificação no estilo de cada boxeador. “Os pugilistas precisam mudar a maneira como eles lutam. Precisam cuidar mais da cabeça e priorizar a defesa. Os árbitros também precisam se adaptar às novas regras e acredito que todo mundo vai estar mais preparado para as mudanças”, completou.

Decisão de retirar o capacete entre os homens ainda causa polêmica entre atletas e dirigentes

Boxe feminino segue com capacetes

Divulgação/AIBA

Nos combates do boxe feminino, o capacete segue como equipamento de segurança obrigatório

No mundo do boxe olímpico também não há uma conclusão. Alguns acham que o uso dos capacetes impede maiores lesões na cabeça dos lutadores, apesar de nenhum estudo confirmar esta tese. Também acreditam que evitam cortes e colaboraram para que eventuais cabeçadas causem contusões.

Outros acham que a sua utilização pode tornar os lutadores menos resistentes aos golpes, dando uma noção falsa de segurança. Outro ponto negativo dos capacetes, segundo os lutadores, é que diminui a visão periférica. Por causa disso, a postura dos pugilistas precisa ser mais ereta, deixando o queixo mais exposto aos golpes do adversário. Os protetores também tornam a cabeça o alvo principal, tornando, para muitos, a luta mais “feia” e menos técnica.

No Mundial de Doha, em outubro de 2015, pugilistas reclamaram que sofreram lesões nos supercílios, exatamente pela falta de protetores de cabeça. A sequência de lutas – dia sim, dia não – causa pequenas lesões, principalmente no rosto, que poderiam ter sido evitadas, para alguns lutadores, com o uso dos capacetes.

George Foreman, uma das lendas do boxe e dono de uma das maiores pancadas da história, defende o uso dos capacetes. Segundo ele, o protetor ajuda a diminuir o impacto dos milhares de golpes que os boxeadores recebem em suas carreiras.

Mike Tyson não usava protetores de cabeça em seus treinamentos no início de carreira, quando era orientado pelo histórico treinador Cus D’Amato. O motivo é que a proteção dava uma impressão errada para os pugilistas da força dos golpes recebidos e que na hora da luta profissional, quando jamais de usou capacetes, o impacto seria muito maior.

O capacete passou a ser usado nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Agora, preocupada em não perder os melhores boxeadores “olímpicos” para o profissionalismo, a Aiba não só retirou os protetores de cabeça como também adotou a pontuação semelhante à existente nos combates os profissionais.

Abaixo, acompanhe trechos da final dos meio-pesados dos Jogos de Roma 1960, entre o americano Cassius Clay (que depois mudou seu nome para Muhammad Ali) e o polonês Zigzy Pietrzykowski:

Wilson Baldini Júnior

Especial para o Bikpek.

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