Cerimônia de acendimento do fogo olímpico de Londres 2012

OCOG/Londres 2012

Atrizes interpretam as sacerdotisas na cerimônia do acendimento da tocha antes das Olimpíadas de Londres 2012

A cerimônia de acendimento do fogo olímpico, prevista para ocorrer nesta quinta-feira (21) e que marcará o início do revezamento da tocha olímpica, não é apenas uma das etapas mais importantes dos Jogos Rio 2016. A festa que será realizada na cidade de Olímpia, na Grécia, e que sempre ocorre antes de cada edição das Olimpíadas – seja de Verão ou Inverno – remete à própria origem dos Jogos Olímpicos.

Na Grécia antiga existia o culto ao fogo, considerado um elemento divino. Segundo a mitologia grega, Prometeu – um titã defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência – roubara o fogo de Zeus e o havia entregue aos mortais. Diz a lenda que para celebrar a passagem do fogo de Prometeu ao homem, eram organizadas corridas de revezamento, nas quais os atletas passavam a tocha entre si até que o vencedor cruzasse a linha de chegada. Caberia ao campeão transportar o fogo para acender o altar do sacrifício em homenagem a Zeus.

Por este aspecto divino, por volta do século 8 a.C, muitos templos espalhados pelo país mantinham chamas acesas. Um destes locais sagrados estava na cidade de Olímpia, que recebia as competições esportivas organizadas pelos gregos.

Foto cerimônia da tocha olímpica

OCOG/Sochi 2014

Atores gregos participam da encenação na cerimônia do fogo olímpico antes dos Jogos de inverno de Sochi 2014

Foi justamente em Olímpia que no ano 776 a.C realizou-se a primeira Olimpíada da Antiguidade, que disputada a cada quatro anos honrava Zeus e outras divindades gregas. Este também era um período marcado pela paz entre as constantes guerras. Por isso, no período próximo ao evento, corredores chamados de “anunciadores da paz” atravessavam o país declarando a “trégua sagrada” para todas as batalhas entre cidades rivais.

Antes do início das competições, em Olímpia, os gregos acendiam a pira de fogo no altar de Hera, deusa da vida e do casamento. Para assegurar a pureza da chama olímpica, ela era acesa pelos raios de sol, através de uma “skaphia”, espécie de espelho côncavo que dirige os raios para um determinado ponto. A chama queimava durante os jogos como um sinal de pureza, razão e paz.

De Berlim ao Everest: oito histórias do revezamento da tocha olímpica

Quando decidiu recriar os Jogos Olímpicos, em 1896, o francês Pierre de Fredy, mais conhecido como o Barão de Coubertin, quis manter o máximo possível das tradições das Olimpíadas da Antiguidade. Mas o acendimento do fogo olímpico só foi reintroduzido nos Jogos na edição de 1928, realizada na cidade de Amsterdã (HOL). Desde então, a cerimônia vem se repetindo em frente às ruínas do Templo de Hera, em Olímpia, reunindo um grupo de 46 pessoas, sendo 29 atrizes caracterizadas como sacerdotisas e 13 dançarinos, faltando cerca de 100 dias para a abertura das Olimpíadas de Verão ou Inverno. O evento é organizado pelo Comitê Olímpico Helênico (GRE), sob supervisão do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Atriz interpreta sacerdotisa no Templo de Hera

OCOG/Sochi 2014

Atriz que interpreta uma das sacerdotisas do Templo de Hera exibe a tocha olímpica das Olimpíadas de inverno de Sochi 2014

Após o fogo ser aceso, ele é levado por uma das sacerdotisas em um recipiente para acender a tocha oficial, de posso de um atleta, pela tradição sempre um grego, que irá abrir o revezamento do fogo olímpico. Ele passará depois a tocha a um condutor do país-sede dos Jogos. No caso do Rio 2016, será o ginasta Lefteris Petrounias, campeão na prova de argolas no Campeonato Mundial de 2015, em Glasgow (ESC), que irá entregar a tocha para o ex-jogador de vôlei Giovane Gávio, campeão olímpico em Barcelona 1992 e Atenas 2004, que terá a honra de ser o primeiro brasileiro a conduzir o fogo olímpico.

Em seguida, ela irá partir para uma jornada de seis dias pela Grécia, cobrindo 2.234 quilômetros. O revezamento será encerrado no antigo estádio Panathinaiko, em Atenas, que recebeu a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896, em evento que marcará o aniversário de 80 anos do primeiro acendimento da tocha na era Moderna, que ocorreu nas vésperas dos Jogos de Berlim 1936. Depois, a chama olímpica partirá de avião para a Suíça, onde irá à sede da ONU, em Genebra, e ficará alguns dias no Museu do COI, em Lausannne. No dia 3 de maio chegará a Brasília. Para evitar que a chama se apague, na cerimônia em Olímpia diversas lanternas serão acesas com o fogo, para qualquer eventualidade. Afinal, não é conveniente irritar os deuses olímpicos.

Marcelo Laguna

Marcelo Laguna

Editor

Marcelo Laguna é jornalista especializado em esportes e cobre Olimpíadas desde 1984 - foi como enviado especial em Atlanta 1996, Sydney 2000, Londres 2012 e Rio 2016. É um dos cofundadores do Bikpek e crê que um dia o Brasil deixará de ter uma monocultura esportiva.

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