Nos Jogos Olímpicos de 1960, em Roma, um atleta etíope entrou para a história ao se tornar o primeiro negro africano a conquistar um ouro olímpico. Abebe Bikila, que quatro anos depois conquistaria o bicampeonato, foi além: venceu a maratona descalço. Passados 56 anos, uma etíope completou os 3.000 metros com obstáculos com os pés descalços, levantando o público no Engenhão, local das provas de atletismo da Rio 2016.

Etenesh Diro correndo descalça na Rio 2016

Facebook/Olympic

Etenesh Diro, pé direito descalço, lembrou feito do lendário Abebe Bikila

A pouco mais de duas voltas do fim da prova, cerca de mil metros, a sapatilha direita de Etenesh Diro saiu do pé ao ser tocada em consequência de um tombo da jamaicana Aisha Praught. Ainda assim, a etíope tirou a meia e foi até o fim. O tempo da atleta não seria suficiente para obter vaga na final, mas a organização avaliou que Etenesh, Aisha e a irlandesa Sara Louise Treacy haviam sido prejudicadas e, por este motivo, deram às três a classificação. A disputa da medalha da prova terá 18 participantes em vez de 15 e será nesta segunda-feira (15).

Abebe Bikila venceu a maratona descalço por causa do incômodo causado por bolhas nos pés

O episódio com Etenesh remete à histórica prova que colocou Abebe Bikila na história olímpica. Ex-integrante da guarda do imperador Haile Selassie. Bikila – que inspirou o nome Bikpek – correu descalço não por causa de um acidente, mas por vontade própria. Antes da largada, ao perceber o incômodo que bolhas nos pés estavam lhe causando, decidiu tirar os tênis. E assim chegou na primeira colocação e quebrou o recorde mundial da prova.

Etenesh é a quarta melhor atleta do ano na prova e chorou ao passar a linha de chegada. Sentia dor no pé direito e achava que tinha perdido a chance de disputar medalha na prova em que chegou em quinto lugar em Londres 2012. Foi muito aplaudida pelo esforço e é certo que terá o estádio olímpico inteiro ao seu lado na final.

Rodrigo Borges

Rodrigo Borges

Editor

Jornalista desde 1997, com passagens por Lance!, Destak e ESPN. Mora desde 2015 em Londres, onde trabalha como freelancer para diversas publicações brasileiras, função que já exerceu também em Nova York. É um dos cofundadores do Bikpek.

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