"Stadium", palco das provas dos Jogos da Antiguidade

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Ruínas do "Stadium", em Olimpia, palco das provas dos Jogos da Antiguidade, entre elas o atletismo

A história do esporte no mundo está diretamente ligada ao atletismo. Ele é chamado de o “esporte-base”, pois sua prática corresponde aos movimentos naturais praticados pelo ser humano, que são correr, saltar e lançar, entre outros.

A primeira competição esportiva de atletismo que se tem registro ocorreu justamente na primeira edição dos Jogos Olímpicos da Antiga Grécia, em 776 A.C, em Olimpia. A prova era uma corrida, chamada pelos gregos de “stadium”, que correspondia a uma disputa na distância aproximada de 200 metros. O vencedor na ocasião foi um atleta chamado Coroebus de Elis, que se imortalizou assim como o primeiro campeão olímpico da história.

Ao longo da história da versão antiga das Olimpíadas, o principal evento dos Jogos era uma competição de atletismo. O pentatlo era uma reunião de cinco provas, reunindo eventos de dois tipos de corridas, lançamentos de discos de pedra, salto em distância e salto por cima de touros.

O atletismo seguiu como o evento de destaque das antigas Olimpíadas mesmo após a invasão romana na Grécia, em 456 A.C, porém a competição foi perdendo sua força, tornando-se uma simples disputa de combates. Até que em 393 A.C as Olimpíadas da Antiguidade foram realizadas pela última vez e o atletismo deixou de ser praticado por um bom tempo.

Coroebus de Elis, campeão nos Jogos da Grécia Antiga em 776 A.C

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Para sagrar-se como primeiro campeão dos Jogos da Antiguidade, o cozinheiro Coroebus de Elis precisou superar os rivais e até mesmo a forte chuva que caiu sobre a cidade de Olimpia, onde o “Stadium” estava localizado

O formato atual do atletismo só começou a aparecer em meados do século 19, englobando competições de corrida, saltos, arremessos e eventos combinados, na Inglaterra. Disputas atléticas universitárias entre Oxford e Cambridge ocorreram a partir de 1864, além de uma espécie de protótipo de um campeonato nacional a partir da 1866, marcara, o ressurgimento do atletismo entre os ingleses.

A partir de 1880, Estados Unidos e outros países da Europa também começaram a organizar suas primeiras competições. A modalidade também era utilizada como prática importante em escolas e academias militares, como parte de seus programas educacionais.

Usain Bolt comemora o ouro nos 100 m na Rio 2016

Divulgação/Rio 2016

Usain Bolt comemora a vitória nos 100 m rasos nos Jogos Rio 2016. Foi seu terceiro ouro nesta prova

O crescimento do atletismo como modalidade de forte apelo mundial fez com que fosse criada, em 1912, a Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo), entidade que se tornou responsável por estabelecer as regras da modalidade e registrar os recordes e melhores marcas alcançadas pelos atletas.

No Brasil, o atletismo também começou a ser praticado no final do século  19. Na década de 1880, o Jornal do Commercio (RJ) publicava costumeiramente os resultados das competições pela cidade. Com a popularização da modalidade, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) filiou-se à Iaaf em 1914 e em 1925 aconteceu o primeiro Campeonato Brasileiro de atletismo. Em 1977, foi fundada a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), que começou a operar efetivamente em 1979, quando de fato tornou-se o órgão responsável pela modalidade no Brasil.

História olímpica

O atletismo faz parte do programa esportivo dos Jogos Olímpicos da Era Moderna desde sua primeira edição, realizada em Atenas 1896. Inspirado nas disputas dos Jogos da Antiguidade, o atletismo marcou sua estreia com um programa relativamente modesto em relação ao que existe atualmente: apenas 12 provas (100 m, 400 m, 800 m, 1.500 m, maratona, 110 m com barreiras, salto em altura, salto com vara, salto em distância, salto triplo, arremesso de peso e lançamento de disco), reunindo 63 atletas masculinos (nenhuma mulher!), de nove países.

Atualmente, o atletismo ocupa um espaço nobre no calendário olímpico, com seus ingressos disputados a peso de ouro, especialmente nas provas mais badaladas, e contando com uma audiência enorme nas transmissões da TV. São 24 eventos masculinos e 23 femininos – não existe a prova da marcha atlética 50 km para as mulheres -, tornando o atletismo o esporte que mais medalhas distribuí em Jogos Olímpicos: 141, sendo 47 de ouro.

Estádio Panathinaiko rcebeu o atletismo nos Jogos de Atenas 1896

Arquivo/Life

O Estádio Panathinaiko recebeu as provas de atletismo das Olimpíadas de Atenas 1896

As mulheres demoraram um pouco para ter seu lugar assegurado no atletismo olímpico. Sem a permissão de participar das primeiras edições olímpicas ou mesmo competições oficiais organizadas pela Iaaf, o atletismo feminino só começou a existir de fato com a fundação da Federação Esportiva Feminina Internacional, em 1921, que organizava a cada quatro anos, no intervalo de duas Olimpíadas, o seu próprio torneio de atletismo.

Em Amsterdã 1928, o COI aceitou incluir as provas femininas no programa do atletismo olímpico, mas sem a supervisão da Iaaf. Somente a partir de 1936, nos Jogos de Berlim, que a entidade passou a se responsabilizar pelas competições dos dois gêneros, o que significou também o encerramento das atividades da federação feminina de atletismo.

O atletismo reúne ainda alguns dos maiores heróis olímpicos de todos os tempos, nas mais variadas provas. Talvez um dos mais emblemáticos seja o americano Jesse Owens, ganhador de quatro medalhas de ouro em Berlim 1936, nos 100 m, 200 m, salto em distância e revezamento 4 x 100 m. Além do enorme feito esportivo, seu triunfo naqueles Jogos também serviu como uma forma de resposta ao regime nazista de Adolf Hitler, que pregava a supremacia da raça ariana e que comandaria a Alemanha rumo à Segunda Guerra Mundial três anos depois.

Jesse Owens em Berlim 1936

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O americano Jesse Owens é considerado como um dos maiores heróis olímpicos de todos os tempos

Outros dois grandes heróis olímpicos do atletismo inspiraram a criação do Bikpek. O tcheco Emil Zatopek foi um dos maiores fundistas de todos os tempos, tendo conquistado nada menos do que quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de Londres 1948 (10.000 m) e Helsinque 1952 (5.000 m, 10.000 m e maratona) e uma de prata, em Londres 1948 (5.000 m). Já o etíope Abebe Bikila, um integrante da Guarda Real do imperador Hailé Selassié, assombrou o mundo ao vencer, de forma inesperada e incontestável, venceu a maratona dos Jogos de Roma 1960. Detalhe: correndo descalço. Em Tóquio 1964, desta vez usando um par de tênis, Bikila voltou a brilhar, conquistando outra medalha de ouro, na maratona.

Fonte: COI (Comitê Olímpico Internacional), COB (Comitê Olímpico do Brasil), Rio 2016, Ministério do Esporte e Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo)

Bikpek

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