Embora sejam encontrados alguns registros históricos da ginástica no Egito Antigo, há um consenso entre pesquisadores do esporte de que a Grécia é o berço da atividade física, voltada para aperfeiçoamento no desempenho militar e em busca de corpos perfeitos. O mesmo aconteceu no Império Romano.

Após passar por período restrita aos acrobatas, a ginástica como modalidade esportiva foi resgatada a partir do fim do século 18 com dois alemães. Primeiro, o professor Johann Christoph Friedrich Guts Muths, criou os conceitos e colocou a prática na grade das escolas. Em 1793, escreveu “Gymnastik für die Jugend” (Ginástica para a Juventude), livro em que dedica inclusive uma seção ao salto com vara. Poucos anos depois, o pedagogo Friedrich Ludwig Christoph Jahn sistematizou a prática da atividade e em 1811 fundou em Berlim a primeira escola de ginástica ao ar livre.

O russo Alexei Nemov nas barras paralelas

Aquivo/COI

O russo Alexei Nemov, bronze nas barras paralelas em Sydney 2000, conquistou 12 medalhas olímpicas

É verdade que Jahn não tinha como objetivo formar atletas: sua intenção era a de preparar jovens alemães para encarar o exército de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Foi ele o criador de alguns dos aparelhos usados até hoje: cavalo com alças, barras horizontais, trave e barras paralelas, além da provas de saltos. Foi perseguido e preso depois que a prática do esporte foi rotulada como perigosa e de alto teor revolucionário, mas é reconhecido como pai da ginástica.

A iniciativa de Jahn acabou contaminando outros países, graças a ginastas alemães que seguiam difundindo a ginástica em várias nações. Em 1881, foi fundada em Liége, na Bélgica, a FEG (Federação Europeia de Ginástica), dando ao esporte um novo status e permitindo que conquistasse cada vez mais fãs. Dez anos depois, foi fundada a FIG (Federação Internacional de Ginástica).

Atleta treina no cavalo com alças em 1936, em Berlim

Arquivo/Life

Atleta treina no cavalo com alças durante os Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim

No Brasil, a modalidade chegou com imigrantes alemães que desembarcaram no Rio Grande do Sul, mas o grande incentivador e divulgador da modalidade foi um argentino, o professor Enrique Wilson Libertário Rapesta.  A oficialização da ginástica artística como modalidade aconteceu em 1951, com a criação de federações no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A ginástica passou então a integrar a CBD (Confederação Brasileira de Desportos). A fundação da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) porém, aconteceu apenas dia 25 de novembro de 1978.

História olímpica

A ginástica artística está presente nos Jogos Olímpicos desde a primeira edição, em Atenas 1896. No começo, era destinada apenas aos homens, que disputavam as medalhas nas argolas, barra horizontal, barras paralelas, cavalo com alças, salto sobre o cavalo e subida de corda.

Arthur Zanetti, ouro nas argolas em Londres 2012

Valterci Santos/Agif/COB

Arthur Zanetti, ouro nas argolas em Londres 2012, foi o primeiro ginasta brasileiro medalhista olímpico

A presença feminina foi vetada nas primeiras edições olímpicas para lembrar as antigas competições realizadas nos Jogos da Antiguidade, quando os atletas competiam sem camisa. Foi só com a mudança desta norma, a partir dos Jogos de Amsterdã 1928, que as mulheres passaram a competir, porém apenas em provas por equipes.

A regra que obrigava a competir sem camisa deixou as mulheres fora dos Jogos até 1928, em Amsterdã

Depois de nova ausência, em Los Angeles 1932, as mulheres retornaram ao cenário olímpico em Berlim 1936, novamente em competições por equipes. As provas individuais femininas começaram apenas em Helsinque 1952.

O programa olímpico hoje é composto por oito provas masculinas e seis femininas. Os homens disputam a competição por equipes e a individual geral (envolvendo todos os aparelhos), além de solo, cavalo com alças, argolas, salto, barras paralelas e barra fixa. As mulheres competem com equipes, individual geral, solo, salto, barras assimétricas e barra de equilíbrio.

Larissa Latynina compete no solo em Tóquio 1964

Arquivo/COI

Tóquio 1964: Larissa Latynina conquista o tricampeonato olímpico no solo, feito que jamais foi igualado

Fonte: COI (Comitê Olímpico Internacional), COB (Comitê Olímpico do Brasil), FIG (Federação Internacional de Ginástica), CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) e “Almanaque Olímpico Sportv” (Armando Freitas e Marcelo Barreto, Casa da Palavra, 271 páginas).

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