A origem da ginástica de trampolim vem da Idade Média, época em que acrobatas e trapezistas de circo utilizavam tábuas de molas nas suas apresentações, realizando saltos a partir de impulsos e caindo em redes de segurança. Muito tempo depois, no começo do século 20, artistas usavam uma espécie de cama de pular, que funcionava como um pequeno trampolim, para entreter plateias.

Esportivamente, a ginástica de trampolim foi criada pelo ginasta americano George Nissen em 1936, quando construiu um aparelho desmontável na garagem de casa. O aparato seria usado em atividades como mergulho, mas Nissen percebeu que poderia usar o equipamento para fazer demonstrações. E assim nascia um esporte que se tornaria olímpico no fim do século.

Treinamento no trampolim acrobático, como era chamado o esporte, em 1960, nos Estados Unidos

Arquivo/Life

Estados Unidos, 1960: treinamento de trampolim acrobático, como era chamada a modalidade

O trampolim acrobático, como era chamado, entrou ainda na década de 1930 nos programas de educação física de escolas e universidades dos EUA. Uma década depois, o novo esporte passou a ter uso militar. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), percebeu-se que os exercícios proporcionados pelo trampolim poderiam ser usados na preparação de soldados, pilotos de avião, paraquedistas e até astronautas. Foi usado também pelos exércitos soviético e francês.

O aparelho permitia preparar os militares para os loopings que podem acontecer em aviões ou em casos de quedas de aeronaves. O uso das camas elásticas com esse fim continuou por muitos anos e só foi abandonado na década de 1980, com a introdução de simuladores.

Um grave acidente atrasou em mais de duas décadas a estreia da modalidade nos Jogos

Em 22 de março de 1964, foi criada em Londres a FIT (Federação Internacional de Trampolim Acrobático), mesmo ano da disputa do primeiro Mundial da modalidade, com 12 países. Nos anos 1980, teve início um movimento para que a modalidade fosse reconhecida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional).

Até pela origem do esporte, muitos entendiam que o trampolim deveria ser uma modalidade integrante da FIG (Federação Internacional de Ginástica). Depois de um longo processo político, a incorporação aconteceu em janeiro de 1999, quando passou a ser chamada de ginástica de trampolim.

O japonês Tetsuya Sotomura durante a final do trampolim nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008

Arquivo/COI

O japonês Tetsuya Sotomura durante a final do trampolim nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008

No Brasil, o trampolim acrobático começou a ser praticado em 1975, trazido ao país pelo professor José Martins de Oliveira. A primeira participação brasileira em um Campeonato Mundial ocorreu em 1990, na Alemanha.

História olímpica

A rápida popularidade que o trampolim acrobático atingiu nos anos 1950 fez com que aumentasse a pressão para colocar a modalidade no programa olímpico. E este desejo quase se tornou realidade nos Jogos de Moscou, em 1980. Isso só não aconteceu por causa de um terrível acidente, poucos anos antes, que deixou uma atleta tetraplégica.

A mudança veio com o processo de reconhecimento da modalidade pelo comitê olímpico e a incorporação da modalidade à FIG. Uma exibição da modalidade em junho de 1996, diante da entrada do Museu Olímpico, em Lausanne (SUI), tendo na plateia autoridades como o então presidente do COI, o espanhol Juan Antonio Samaranch, foi decisiva para mudar o status do esporte.

Assim, poucos anos antes de a ginástica de trampolim ser integrada na FIG, o COI confirmou em 1997 que a modalidade faria parte do programa esportivo dos Jogos de Sydney 2000, com provas individuais masculina e feminina.

O ginasta brasileiro Rafael Andrade se apresenta nos Jogos do Rio, em 2016

Marcelo Pereira/Exemplus/COB

O ginasta Rafael Andrade, primeiro brasileiro a disputar Jogos Olímpicos no trampolim, na Rio 2016

Fonte: COI (Comitê Olímpico Internacional), COB (Comitê Olímpico do Brasil), FIG (Federação Internacional de Ginástica), CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) e “Almanaque Olímpico Sportv” (Armando Freitas e Marcelo Barreto, Casa da Palavra, 271 páginas).

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