Áustria e Irã no Mundial masculino 2015

Divulgação/IHF

O goleiro Marinovic (Áustria) tenta defender o arremesso de Sekenari (Irã), no Mundial 2015, no Qatar

Os primeiros registros referentes ao handebol datam da antiga Grécia, quando um jogo chamado urânia era praticado com uma bola do tamanho de uma maçã, usando as mãos, mas sem os gols. O jogo foi citado por Homero na “Odisseia”. À época do Império Romano, Claudio Galero escreveu que no período entre 130 e 200 d.C havia um jogo praticado com as mãos chamado “hasparton”.

No fim do século 13, na França, o escritor François Rabelais relatou a existência de um jogo chamado esprés jouaiant à balle, à la paume (jogo rápido com a bola nas mãos, em tradução livre). A partir da metade do século 19, contudo, modalidades esportivas que se assemelhavam ao handebol apareceram em países como a Dinamarca, onde o professor de educação física Holger Nielsen criou um jogo chamado haadbold. Quase na mesma época, surgiu o hazena na extinta Tchecoslováquia  e o sallon no Uruguai.

Mas foi na virada para o século 20 que o handebol tomou forma definitivamente. Existem, porém, versões conflitantes que marcam o nascimento da modalidade. Registros mostram que a versão do jogo disputado a céu aberto foi introduzida na Suécia em 1910, por G. Wallström, já com o nome de “handball”.

Há quem sustente, contudo, que a origem do handebol ocorreu na Alemanha. No final do século 19, começou a ser praticado um jogo chamado raftball, que durante o período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi aperfeiçoado por um professor de ginástica de Berlim chamado Max Heiser, que rebatizou o jogo como torball, voltado às operárias da fábrica Siemens e disputado ao ar livre. Em 1919, coube a outro professor alemão, Karl Schelenz, reformular o novo esporte, aumentar as dimensões do campo e do número de participantes (11 de cada lado), permitir a participação de homens e, por fim, rebatizá-lo para handball.

Um ano depois, o novo esporte tornou-se uma modalidade oficial na Escola de Educação Física da Alemanha e começou a ser praticado em outros países europeus, como Áustria e Suíça. Em 1925, aconteceu a primeira partida internacional, uma vitória da Áustria contra a Alemanha por 6 a 3. Em agosto de 1927, decidiu-se adotar as regras alemãs como as oficiais da modalidade. No ano seguinte, nasceu a primeira entidade para regulamentar o novo esporte, a IAHF (Federação Internacional de Handebol Amador, em português).

Seleção da Alemanha de handebol em Berlim 1936

Reprodução

Seleção da Alemanha entra em campo para disputar uma partida válida pelo primeiro torneio olímpico de handebol, em Berlim 1936. Modalidade só foi para quadra no fim dos anos 1940.

Em 1938, a Alemanha assistiu à realização do primeiro Campeonato Mundial de Handebol, tanto na modalidade campo (com oito seleções) como quadra (quatro participantes). Após os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, o jogo sofreu alterações profundas. Para fugir das nevascas e da chuva, o handebol começou a ser disputado em quadras, com sete atletas em cada equipe.

Foi após a criação de uma nova entidade, a IHF (Federação Internacional de Handebol, em português), em 18 de julho de 1946, que adotou-se este formato com sete atletas por time. A IHF teve sua primeiro sede na Suécia, transferindo-se para a Suíça em 1950.

No Brasil, o handebol chegou por meio dos imigrantes alemães e ficou restrito ao estado de São Paulo até a década de 1960, quando após um curso ministrado pelo professor francês Augusto Listello passou a ser praticado em escolas por todo o país. Em 1971, o MEC (Ministério do Esporte e Cultura) introduziu a modalidade no programa esportivo dos JEBs (Jogos Estudantis Brasileiros) e JUBs (Jogos Universitários Brasileiros). A CBHb (Confederação Brasileira de Handebol) foi criada em 1979, sendo responsável pela organização da 1ª Taça Brasil de Clubes, em 1980, na cidade de São Paulo.

O maior feito do handebol brasileiro coube às mulheres. Depois de um inédito quinto lugar no Mundial de 2011, realizado em São Paulo, a seleção brasileira feminina conquistou o título mundial de 2013, em torneio realizado na Sérvia, derrotando as donas da casa na decisão.

Seleção brasileira feminina de handebol

Cinara Piccolo/Photo&Grafia

A brasileira Fernanda arremessa na final do Campeonato Mundial feminino de 2013, contra a Sérvia

História olímpica

Após a realização da Assembleia Geral do COI (Comitê Olímpico Internacional) em 1934, ficou decidido que a nova modalidade faria parte do programa olímpico a partir de Berlim 1936. Apoiada por 100 mil torcedores, que lotaram o Estádio Olímpico (a edição aconteceu em quadra ao ar livre), a Alemanha, comandada pelo regime nazista de Adolf Hitler, ficou com a primeira medalha de ouro da história do handebol, ao derrotar a Áustria na decisão por 10 a 6. A medalha de bronze ficou com a Suíça.

Mesmo com o sucesso da primeira edição olímpica, o handebol demorou a retornar ao programa. Em Helsinque 1952, a modalidade foi disputada como esporte de demonstração. Já no formato de disputa em quadra fechada, o handebol foi incluído definitivamente no programa olímpico em Munique 1972, mas apenas com seleções masculinas. As mulheres começaram a brigar por medalhas nos Jogos de Montreal 1976.

Para o Brasil, a história do handebol olímpico demorou um pouco mais para começar. A estreia aconteceu com a seleção masculina, em Barcelona 1992, quando a seleção terminou em 12º e último lugar. A participação só ocorreu devido à desistência de Cuba, que havia ficado com a única vaga das Américas.

O fato repetiu-se nos Jogos de Atlanta 1996. Coube à seleção feminina, porém, a conquista da primeira vaga em quadra, graças ao ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1999, em Winnipeg, qualificando o time para Sydney 2000, quando a equipe terminou em oitavo lugar. Em Londres 2012, o handebol brasileiro, novamente com a seleção feminina, obteve o melhor resultado do Brasil na história olímpica, um sexto lugar.

União Soviética ouro em Montreal 1976

COI

Na estreia das mulheres no handebol olímpico, em Montreal 1976, a União Soviética massacrou as rivais, vencendo as cinco partidas que disputou (em sistema de pontos corridos), marcando 92 gols e sofrendo apenas 40.

No torneio olímpico de handebol, o sistema de disputa para homens e mulheres é o mesmo: os 12 países participantes de cada evento são divididos em dois grupos de seis, com todos se enfrentando dentro das chaves. Os quatro melhores avançam às quartas de final, para jogos eliminatórios até que duas seleções disputem o ouro. Os perdedores das semifinais jogam pelo bronze.

Na fase de mata-mata, as partidas que terminarem empatadas no tempo normal terão mais uma prorrogação, com dois tempos de cinco minutos. Caso a igualdade persista, um novo período é disputado. Se ainda assim não houver um vencedor, acontece uma disputa de tiros de sete metros, com cinco tentativas por time e eliminação direta até que saia um ganhador.

Fonte: COI (Comitê Olímpico Internacional), COB (Comitê Olímpico do Brasil), Rio 2016, IHF (Federação Internacional de Handebol) e “Almanaque Olímpico Sportv” (Armando Freitas e Marcelo Barreto, Casa da Palavra, 271 páginas)

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