Prova feminina de natação

Como a corrida, a natação é uma das mais antigas formas de atividade física. Já na Idade da Pedra, há mais de 2 milhões de anos, o homem nadava em rios ou lagos à procura de alimentos, como comprovam pinturas encontradas em cavernas, retratando nadadores da época, descobertas no Egito. Como forma de exercitar o corpo, era praticada na Grécia Antiga e pelos romanos, mas demorou até tornar-se uma competição esportiva organizada e ter sua técnica e seus estilos de desenvolvidos.

Os primeiros registros de provas de natação são encontrados no início do século 19. A Austrália realizou disputas na distância de 440 jardas (402,3 m) em 1858. Na mesma época, a Sociedade Nacional de natação da Grã-Bretanha começou a realizar suas competições, até que em 1869 foi organizado o primeiro campeonato nacional da modalidade. Por fim, em 1877, foi a vez dos Estados Unidos organizarem seus próprios torneios de natação, iniciativa do New York Athletic Club.

Mas foi somente em 1908 que a natação passou a ter uma entidade que regulamentasse a modalidade em todo o mundo, com a fundação da Fina (Federação Internacional de Natação), com sede em Lausanne, na Suíça.

Cesar Cielo aponta o dedo com aneis olímpicos ao fundo

Daniel Ramalho/Agif/COB

Cesar Cielo é o maior nadador da história do Brasil: três medalhas e ouro nos 50 m livre em 2012

No Brasil, o esporte surgiu, oficialmente, em 31 de julho de 1897, com a fundação da União de Regatas Fluminense. Um ano depois, o Clube de Natação e Regatas organizou o primeiro Campeonato Brasileiro, que consistia em uma distância de 1.500 metros, entre a Fortaleza de Villegaignon e a praia de Santa Luzia, no Rio de Janeiro.

Em 1913, a Federação Brasileira das Sociedades de Remo passou a organizar as competições nacionais, tendo além das provas de 1.500 m, competições de 100 m para estreantes, 600 m para seniores e 200 m para juniores. A partir de 1914, a modalidade passou a ser organizada pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos), até 1978, data de fundação da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos).

Maratona aquática

Com a mesma origem da natação, as provas em águas abertas começaram a se organizar em forma de competição a partir de 1875, quando o inglês Matthew Webb tornou-se o primeiro atleta a cruzar a nado os 34 km do Canal da Mancha, que separa a ilha da Grã-Bretanha do litoral da França. Para isso, precisou de 21h45min.

Muitas competições em águas abertas foram realizadas entre o final do século 19 e início do século 20, sempre com um bom público, atraído pelos desafios que os nadadores enfrentavam e também pelas manchetes dos jornais da época, que davam amplo espaço às travessias.

Johnny Weissmuller, cinco ouros olímpicos, no papel de Tarzan

Reprodução

Antes de ser famoso como Tarzan no cinema, Johnny Weissmuller foi bicampeão dos 100 m livre

Com o aumento do número de piscinas e o nível de poluição em mares, lagos e rios cada vez maior, as provas em águas abertas foram perdendo espaço. Depois de um longo período de baixa, foram retomadas de forma mais intensa na segunda metade dos anos 1980, na Europa, já rebatizadas de maratonas aquáticas.

No Brasil, a primeira grande competição em águas abertas que se tem notícia foi a Travessia da Guanabara, em 1897, com um percurso de 4.100 m, com largada na ilha de Boa Viagem, em Niterói, e chegada na praia de Santa Luzia, no Rio de Janeiro. Em Santos e São Paulo, nas águas ainda limpas do rio Tietê, eram disputadas várias provas de águas abertas.

De mesma forma que em outros países, as competições em águas abertas foram perdendo interesse ao longo dos anos, enquanto as provas em piscina passaram a atrair mais atletas e público. Em meados dos anos 1980, estimuladas pela CBDA, diversas provas em páguas abertas começaram a ser organizadas em várias cidades do litoral brasileiro.

História olímpica

A natação faz parte do programa olímpico desde a primeira edição dos Jogos, em Atenas 1896. Na ocasião, foram realizados apenas quatro eventos, apenas para homens e todas no estilo livre. Na edição seguinte das Olimpíadas, realizada em Paris 1900, o nado de costas passou a integrar o programa de provas da natação. A estreia do estilo peito ocorreu nos Jogos de St. Louis 1904, quando pela primeira e única vez as distâncias das provas foram medidas em jardas.

Maratona aquática na Rio 2016

Marcelo Pereira/Exemplus/COB

A maratona aquática entrou para o programa olímpico em Pequim 2008, com provas de 10 km

Durante a década de 40, os nadadores especialistas no estilo peito começaram a perceber que poderiam ir mais rápido se trouxessem os braços para frente, acima da cabeça. O movimento acabou sendo proibido para o nado peito, porém ajudou a criar o estilo borboleta, cuja estreia nos Jogos Olímpicos aconteceu somente em Melbourne 1956.

Inicialmente voltada apenas para os homens, a natação olímpica também abriu espaço para as mulheres, mas somente nos Jogos de Estocolmo 1912, com apenas dois eventos: 100 m livre e revezamento 4 x 100 m livre. Atualmente, os programas masculino e feminino de natação são praticamente idênticos, com 16 provas por gênero. A diferença está nas provas de longa distância: enquanto para os homens a maior distância percorrida é a de 1.500 m livre, entre as mulheres a prova mais longa é a dos 800 m livre.

A maratona aquática foi aprovada para fazer parte do programa olímpico após reunião do comitê executivo da entidade realizada em 2005, com a inclusão da prova de 10 km, para homens e mulheres. A estreia aconteceu nos Jogos de Pequim 2008.

Michael Phelps em Londres 2012

Arquivo/COI

Michael Phelps nada borboleta nos 200 m medley em Londres 2012, um de seus 23 títulos olímpicos

Fonte: COI (Comitê Olímpico Internacional), COB (Comitê Olímpico do Brasil), Rio 2016, Fina (Federação Internacional de Natação) e CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos)

Bikpek

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