Gustavo Guimarães marca na vitória de 6 a 5 do Brasil sobre a Sérvia

Fernando Frazão/Agência Brasil

Gustavo Guimarães marca na vitória do Brasil sobre a Sérvia na Rio 2016

Oficialmente, o polo aquático passou a ser praticado a partir do século 19, na Grã-Bretanha, como uma versão do rúgbi na água. Mas uma versão mais inusitada no esporte já era disputada na Inglaterra e Escócia, no século 18, quando duas equipes disputavam um jogo para entreter o público em provas de natação de longa distância. O nome “polo” vinha do fato de que os atletas atuavam em barris de madeira com cabeça de cavalo, simulando a disputa do tradicional polo a cavalo. Assim como o jogo praticado na grama, aqui os atletas também procuravam acertar as bolas com uma espécie de taco.

Esta versão no mínimo inusitada foi deixada no passada pelos criadores do polo aquático, também britânicos, que se inspiraram em outra paixão do país, o futebol. Porém, ao invés dos pés, o objetivo era fazer gols com as mãos dentro de uma piscina. Por sinal, foi a criação dos gols que marcou  a grande virada para consolidar o esporte, em 1888. Até então, os pontos eram marcados quando a bola ultrapassava a linha de fundo (outra semelhança com as regras do polo a cavalo).

Enquanto os ingleses se preocuparam em elaborar as regras, coube aos escoceses desenvolver a tática, com a utilização de nadadores mais velozes e hábeis nos passes, dribles e com ótima pontaria. Antes do final do século 19, o esporte se desenvolveu rapidamente por toda a Grã-Bretanha, dando origem a muitos clubes na Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda. Ainda em 1888, o polo aquático chegou aos Estados Unidos pelas mãos de um treinador de natação inglês chamado John Robinson. Ele criou uma equipe na Boston Athletic Association. Dois anos depois, Arnold Heiban formou uma equipe no Sydenham Swimmers Club, em Rhode Island. No final de 1890, o New York Athletic Club (NYAC) adotou o jogo.

EUA e Itália jogam pelo torneio masculino da Rio 2016

Rio 2016

Itália e Estados Unidos fizeram um duelo equilibrado na Rio 2016, com vitória dos americanos por 10 a 7

No Brasil, o polo aquático começou a ser disputado no início do século 20, graças a Flavio Vieira, grande incentivador da modalidade e responsável pela criação da primeira competição nacional, um campeonato na enseada da praia do Botafogo, em 1913, reunindo equipes como Botafogo, Flamengo, Vasco da Gama e Natação e Regatas. A primeira partida internacional somente ocorreu em 1919, nas águas da Baia da Guanabara, entre Brasil e Argentina, que terminou com a vitória do time brasileiro.

Dois personagens foram fundamentais para a evolução do polo aquático no Brasil. Na década de 50, o Fluminense contratou o técnico italiano Paolo Costoli, que introduziu novos métodos de treinamento e modernizou o estilo de jogo dos brasileiros. Nos anos 60, o húngaro Aladar Szabo, como jogador, foi o responsável por passar a experiência da chamada “escola húngara” para os brasileiros.

História olímpica

O polo aquático mal havia consolidado suas regras e buscava um  reconhecimento mundial quando já obteve um feito considerável, ao integrar o programa esportivo da segunda edição dos Jogos Olímpicos, realizados em Paris, em 1900. É verdade que foi uma competição bem diferente dos padrões atuais, que reúne seleções de vários continentes. Na verdade, existem muitas informações desencontradas a respeito do primeiro torneio olímpico do polo aquático.

Oficialmente, o COI (Comitê Olímpico Internacional) credita à Grã-Bretanha a honra de ter levado a primeira medalha de ouro da história da modalidade, enquanto a Bélgica ficou com a prata e duas equipes da França dividiram a medalha de bronze. Mas existem outras versões sobre a competição inaugural. De acordo com o site Sports Reference, a primeira disputa olímpica foi praticamente um torneio internacional de clubes.

Erwin Zardor, da Hungria

Reprodução

Ervin Zardor, da Hungria, deixa a piscina sangrando, após partida contra a URSS, em Melbourne 1956, no jogo mais violento da história do polo aquático olímpico. A Hungria venceu por 4 a 0 e depois levou o ouro, batendo a Iugoslávia.

A medalha de ouro ficou com um clube inglês, o Osborne Swimming Club, da cidade de Manchester, que por contar com atletas de outros países foi considerado pelos critérios do site como uma equipe mista. A Bélgica levou a prata, graças à participação do Brussels Swimming and Water Polo Club.

As duas medalhas de bronze ficaram com dois clubes franceses, o Libellule de Paris e o Pupilles de Neptune de Lille, mas o time parisiense também teria atletas de outras nacionalidades em seu elenco e também foi classificado como equipe mista. Ainda segundo o Sports Reference, outras três equipes disputaram o primeiro torneio olímpico de polo aquático.

Presente em sua versão masculina desde então, de forma ininterrupta, o polo aquático abriu espaço para as mulheres apenas em 2000, nos Jogos de Sydney, quando a Austrália tornou-se a primeira campeã.

O sistema de disputa é bastante simples. No torneio masculino, são 12 seleções, enquanto a competição feminina reúne oito equipes. Nos dois eventos, os participantes são divididos em dois grupos, dentro dos quais todos se enfrentam. Os melhores avançam para a fase de mata-matas (quartas de final, semifinal e final).

Austrália medalha de ouro no polo aquático nos Jogos de Sydney 2000

Divulgação

Jogadoras da Austrália comemora o ouro em Sydney 2000, na estreia das mulheres no polo aquático

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