O primeiro registro de uso de armas de fogo na história data de 1346, quando ingleses e franceses se enfrentaram na Batalha de Crécy, uma das mais famosas da Guerra dos 100 Anos. A aplicação bélica de armas de fogo obviamente permitiu a criação do tiro esportivo, uma das mais antigas modalidades olímpicas. Linhas de tiro que eram usadas em combates serviram como modelo para as primeiras competições, com disputas nas posições deitado, de joelhos e em pé.

No século 19, diversos clubes de tiro se desenvolveram e deram origem às primeiras federações nacionais da modalidade na Europa. De 1824 a 1867 surgiram associações e clubes na Suíça (1824), Grã-Bretanha (1859), Alemanha (1861) e França (1867), onde foi criado o Campo de Instrução de Chalôns, local da realização de uma prova de tiro ao alvo com fuzis. Nos EUA, dois generais estabeleceram a National Rifle Association of America em 1871, poucos anos depois da Guerra Civil (1861-1865).

Equipe americana em Paris 1924

Arquivo/COI

Atiradores dos EUA em Paris 1924: Bud Fisher, com o rifle, conquistou cinco ouros olímpicos na carreira

Além dos militares, os clubes de caça também deram sua contribuição para a criação do tiro esportivo. A atividade dos caçadores inspirou inclusive algumas das provas que existem atualmente, como skeet e fosso.

Em 17 de julho de 1907, representantes das federações nacionais da Argentina, Áustria, Bélgica, França, Grécia, Holanda e Itália reuniram-se em Zurique para criar a União Internacional das Federações Nacionais de Tiro. Em 1920, a entidade mudou de nome para UIT (União Internacional de Tiro) e em 1998 foi rebatizada como ISSF (Federação Internacional de Tiro Esportivo).

No Brasil, o tiro esportivo chegou com a imigração europeia, no Século 19, especialmente com a chegada de alemães e italianos na região Sul. Em consequência dos hábitos e costumes europeus e da abundância de caça na região, foram fundados diversos clubes de caça e pesca. Nas principais colônias alemãs, era realizada uma competição chamada tiro ao rei.

Competição feminina de rifle de ar 10 metros nos Jogos Olímpicos de Londres 2012

Arquivo/COI

Competição feminina de rifle de ar 10 metros durante os Jogos Olímpicos de Londres 2012

Em 1899, foi fundado no Rio Grande do Sul o Tiro Nacional, que tinha como finalidade incrementar a prática do que então era chamado de tiro ao alvo pelas sociedades e clubes de tiro. Com o objetivo de reunir todas as entidades da modalidade no país, foi fundada em 1906 a Confederação de Tiro Brasileiro, subordinada ao Exército.

A entidade mudou de nome em 1947, passando a se chamar Confederação Brasileira de Tiro ao Alvo, nome que existiu até 1994, quando foi rebatizada como Confederação Brasileira de Tiro. Nova mudança aconteceu em 1º de dezembro de 1999, com a entidade alterando seu nome para CBTE (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo), que permanece até hoje.

História olímpica

O tiro esportivo integra o programa olímpico desde a primeira edição, em Atenas 1896. Para isso, foi decisiva a influência do Barão de Coubertin, “pai” dos Jogos e apaixonado pelo esporte em que chegou a ser campeão francês no tiro com pistola.

Somente em duas ocasiões o tiro foi excluído dos Jogos, em St. Louis 1904 e Amsterdã 1928, quando aconteceu uma ruptura entre a UIT (União Internacional de Tiro) e o COI (Comitê Olímpico Internacional), por causa da distribuição de prêmios em dinheiro nos campeonatos mundiais da modalidade. Como o COI não admitia qualquer tipo de profissionalismo no movimento olímpico, o tiro foi banido. A volta em Los Angeles 1932 não teve muito sucesso: alguns dos melhores atiradores do mundo boicotaram a competição porque não aceitavam a proibição de premiação em dinheiro.

Modalidade deu ao Brasil suas três primeiras medalhas olímpicas, na Antuérpia 1920

Até Tóquio 1964, as mulheres não podiam disputar as competições de tiro, sendo autorizadas a competir com os homens somente a partir da Cidade do México 1968. Foi apenas nos Jogos de Los Angeles 1984 que elas passaram a contar com uma competição exclusiva no programa olímpico. Hoje são três categorias do tiro esportivo nos Jogos: carabina, pistola e tiro ao prato, espalhados em 15 provas.

O tiro esportivo tem especial importância na história olímpica brasileira. Foi a modalidade que deu as primeiras medalhas ao país. Na Antuérpia 1920, brasileiros ganharam um ouro, uma prata e um bronze, com destaque para o título de Guilherme Paraense na pistola militar 30 metros. O Brasil só voltaria ao pódio do tiro na Rio 2016, com prata de Felipe Wu na pistola de ar 10 metros.

O brasileiro Felipe Wu conquistou a prata na pistola de ar 10 metros na Rio 2016

Wander Roberto/Exemplus/COB

O brasileiro Felipe Wu conquistou a medalha prata na prova pistola de ar 10 metros na Rio 2016

Fonte: COI (Comitê Olímpico Internacional), COB (Comitê Olímpico do Brasil), Rio 2016, ISSF (Federação Internacional de Tiro Esportivo) e “Almanaque Olímpico Sportv” (Armando Freitas e Marcelo Barreto, Casa da Palavra, 271 páginas)

Bikpek

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