Martine Grael e Kahena Kunze nos Jogos Rio 2016 pela classe 49er FX

Divulgação/Rio 2016

Brasileiras Martine Grael e Kahena Kunze, ouro na Rio 2016 na 49er FX

Utilizado há milênios como meio de transporte, o barco a vela passou a ter função esportiva apenas a partir do século 17 quando surgiu, na Holanda, um tipo de embarcação chamado jaghtschip (barco de perseguição). Esse novo barco rapidamente atendeu aos interesses comerciais holandeses e passou a ser adotado para pequenas viagens internas, no transporte de cargas entre cidades vizinhas e também para exercitar os jovens marinheiros.

Embarcação prática e de fácil condução, o jaghtstchip atraiu a atenção do rei Carlos 2°, da Inglaterra, que na ocasião estava exilado na Holanda. Após retornar ao seu país, Carlos 2° realizou melhorias no jaghtschip (que, em inglês, virou yatch, termo de origem do “iate” do português) e ajudou a elaborar outros tipos de barcos, tendo sido um dos grandes incentivadores do iatismo na Inglaterra, além de promover as primeiras regatas em águas britânicas.

O primeiro clube de vela conhecido, porém, não é inglês. O Royal Cork Yatch Club nasceu em 1720, na Irlanda. Em 1749, o clube realizou sua primeira grande regata, uma prova de Greenwich a Nore. Cinquenta anos depois, nasceu, em Londres, o Royal Thames Yatch Club. A primeira regata internacional foi disputada em 1851, próximo à Ilha de Wight, e recebeu o nome de Hundred Guineas Cup.

Foi após a chegada do esporte aos Estados Unidos, com a fundação do New York Yatch Club em 1844, que a vela passou a ter uma abrangência mundial. Em 1907, nasceu a União Internacional de Corridas de Iates (IYUR), depois rebatizada de Federação Internacional de Vela (ISAF), que hoje administra o esporte em nível mundial.

No Brasil, a vela desembarcou no fim do século 19, trazida por descendentes de europeus. Em 1906, foi fundado o Iate Clube Brasileiro, primeiro clube dedicado ao esporte, no Rio de Janeiro. A primeira prova nacional foi disputada em 1935 e recebeu o nome de Troféu Marcílio Dias.

Em 1941, foi fundada a Federação Brasileira de Vela e Motor (FBVM), que depois mudou o nome para Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM). A entidade controlou o esporte no País até 2007, quando, devido ao acúmulo de dívidas, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) realizou uma intervenção, que durou até 2013, quando foi criada a CBVela ( Confederação Brasileira de Vela).

Robert Scheidt e Ben Ainslie em ação nos Jogos de Sydney 2000

Arquivo/COI

Robert Scheidt (BRA) e Ben Ainslie (GBR) travaram disputa emocionante na classe Laser em Sydney 2000

História olímpica

A estreia da vela em Jogos Olímpicos deveria ter ocorrido em Atenas 1896, porém as condições meteorológicas desfavoráveis impediram a realização das provas. Desta forma, a modalidade estreou oficialmente em 1900, nos Jogos de Paris. Seis países disputaram a competição na época, composta por barcos de grande porte: Grã-Bretanha, Alemanha, França, Estados Unidos, Suíça e uma equipe mista, formada por um velejador inglês e dois franceses

Barcos da vela nos Jogos Olímpicos de Paris 1900

Arquivo/COI

Após a frustração de Atenas, em sua estreia nos Jogos Olímpicos, na edição de Paris 1900, a vela exibiu nas competições grandes embarcações, bem diferentes dos modelos usados atualmente

O esporte ficou ausente dos Jogos de Saint Louis (EUA) 1904, mas a partir de então nunca mais deixou de marcar presença nas Olimpíadas. No total, 49 classes já fizeram parte do programa olímpico. Ao longo de todos estes anos, foram diversas as mudanças entre os tipos de barcos concorrendo por medalhas, A classe star, por exemplo, que estava nos Jogos desde a edição de 1932 em Los Angeles, não integrou o cardápio de provas no Rio 2016 e não há expectativa de que retorne tão cedo.

Um dos poucos esportes que permite a presença de homens e mulheres competindo juntos, a vela conta com a presença feminina desde Londres 1908. Em Seul 1988, as garotas ganharam prova própria, nas classes 470, Europa e prancha a vela, hoje chamada RS:X. No Rio de Janeiro, houve a estreia de mais uma classe feminina, a 49er FX, que teve como primeiras campeãs olímpicas as brasileiras Martine Grael e Kahena Kunze.  Houve ainda a estreia de uma nova classe mista, a Nacra 17.

Bikpek

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