Luta livre nos Jogos da Juventude

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O russo Ismail Gadzhiev (vermelho) tenta se livrar de Cade Olivas (EUA), na final da categoria 46 kg dos Jogos da Juventude 2014, em Nanjing

A luta é um dos esportes mais antigos de que se  tem registro. Embora não exista a confirmação de uma data precisa, acredita-se que ela começou a ser praticada no período Micênico da Grécia Antiga.  Registros e imagens datados do ano de 2000 a.C. foram encontradas com movimentos similares aos ainda utilizados nos dias de hoje.

A expansão territorial dos romanos é apontada com um dos fatores  de propagação da luta. Literaturas antigas de povos árabes e orientais possuem registros de práticas similares ao esporte.

O wrestling (nome oficial da modalidade, inclusive no Brasil) estreou nos Jogos Olímpicos da era antiga no ano de 704 a.C. Segundo escritos e esculturas da época, os atletas lutavam nus e com mistura de azeite de oliva e terra no corpo. O objetivo era derrubar o adversário três vezes. Era considerado queda quando o oponente tocava as costas, o ombro ou o tórax no solo. Não havia limite de tempo.

Ainda era feita uma divisão de faixa etária, entre rapazes e adultos. O esporte permaneceu nos Jogos Olímpicos até o fim dos Jogos Olímpicos da antiguidade. Com o domínio do Império Romano sobre os gregos e o posteriormente o fim dos Jogos Olímpicos, a luta permaneceu na cultura romana e atravessou os séculos, o que explica a adoção do termo greco-romano a um dos estilos da  luta olímpica.

Luta nos Jogos Olímpicos da era antiga

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Nos primeiros Jogos Olímpicos, os atletas lutavam nus, com azeite de oliva e terra espalhados pelo corpo

Um dos primeiros registros da luta olímpica no Brasil vem da década de 1940, quando o lutador Tatu, no Rio de Janeiro, incentivou a prática do esporte através do telecatch. Na época, as lutas se misturavam: luta livre, vale-tudo, catch e luta olímpica, uma vez que não havia competições ou regulamentação.

Nos anos 1970, a chegada do técnico mexicano Manuel de Andrade serviu para que o esporte chegasse a outros centros, como Rio Grande do Sul, Bahia e Goiás. Em 1979, o professor Roberto Leitão – pai do Roberto Leitão que disputou a Olimpíada da Barcelona 1992 – fundou a primeira federação especializada em luta olímpica, a FLERJ (Federação de Lutas do Estado do Rio de Janeiro), embora a modalidade estivesse vinculada no país à CBP (Confederação Brasileira de Pugilismo). No mesmo ano, foi criada a CBLA (Confederação Brasileira de Lutas Associadas).

De 1988 a 2001, dissidências dentro da luta olímpica fizeram com que outras duas entidades nacionais fossem criadas – CBL (Confederação Brasileira de Lutas) e CBLOA (Confederação Brasileira de Luta Olímpica Amadora). Até que em 2003 a CBLA voltou a ser a organização responsável pela regulamentação da modalidade no Brasil.

Em 2015, para seguir uma determinação da UWW (Unior World Wrestling), a CBLA passou a adotar provisoriamente o nome de CBW (Confederação Brasileira de Wrestling), tornando-o definitivo em maio de 2016, na assembleia geral da entidade. Foi decidido também que o Brasil passaria a adotar o nome em inglês da modalidade, como padronização em relação aos demias países e acabar com a confusão com outros esportes de combate no Brasil.

Luta greco-romana Sydney 2000

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Na luta greco-romana, é proibido qualquer contato dos lutadores abaixo da linha da cintura

Evolução das técnicas existentes desde a Grécia Antiga, a luta greco-romana surgiu na França por volta de 1830, como uma técnica de combate desenvolvida pelo exército de Napoleão. Em 1848, o soldado francês Jean Exbroyat criou a primeira turnê oficial de luta e estabeleceu a regra proibindo qualquer contato abaixo da linha da cintura.

Ele chamou este estilo de flat hand wrestling (luta com as palmas das mãos). A influência deste estilo chegou a outras partes do continente europeu.

A luta greco-romana no Brasil não chegou a ser tão difundida quanto à modalidade livre e, desta forma, não possuí muita tradição. A primeira vez que o país teve um representante em uma competição poliesportiva internacional foi nos Jogos Pan-Americanos de 1963, realizados em São Paulo, com apenas um atleta.

História olímpica

O wrestling estreou logo na primeira edição dos Jogos da Era Moderna, em Atenas 1896, com a modalidade greco-romana.

Os combates não tinham tempo de duração, e eram entre atletas que competiam em outros esportes. Além disso, o Barão Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos, decidiu realizar a disputa da mesma forma que era feita na Grécia Antiga, ou seja, na areia, com os atletas besuntados de óleo sobre a pele.

A modalidade greco-romana, não esteve presente nos Jogos de 1900, em Paris, e 1904, em St. Louis, nos Estados Unidos – quando só foram realizados eventos de luta estilo livre. A edição de 1908, em Londres, foi a primeira que reuniu os dois estilos do esporte no programa olímpico.

Em Estocolmo 1912, a modalidade greco-romana novamente foi a única do programa. Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com a retomada das disputas olímpicas, a luta definitivamente passou a contar com suas duas modalidades a partir das Olimpíadas da Antuérpia 1920.  Desde então a primeira mudança significativa que a modalidade sofreu foi nos Jogos de Sydney 2000,  quando o programa da greco-romana foi reduzindo para oito categorias.

A disputa da luta greco-romana nos Jogos Olímpicos ocorre no sistema de eliminatória simples, com os vencedores de cada lado da chave se enfrentam pela medalha de ouro. Todos os lutadores que perderem para um dos finalistas em qualquer fase do torneio formam dois grupos de repescagem, e os vencedores destas disputas levam o bronze.

Lutas nas Olimpíadas de Roma 1960

Reprodução

Nos Jogo de Roma 1960, as competições de luta aconteceram na Basílica Nova, construída em 312 a.C

Em 1904, nos Jogos de Saint Louis, a luta olímpica livre foi disputada pela primeira vez, apenas por atletas americanos. Na ocasião, inaugurou-se a distribuição dos atletas em categorias de peso.  Atualmente, as categorias olímpicas são 57 kg, 65 kg, 74 kg, 86 kg, 97 kg e 125 kg.

A luta feminina é equivalente ao estilo livre masculino. É a única categoria disputada pelas mulheres e entrou no cronograma olímpico na edição de 2004, em Atenas.  As categorias olímpicas são 48 kg, 53 kg, 58 kg, 63 kg, 69 kg e 75 kg.

A disputa dos eventos da luta olímpica livre é no sistema de eliminatória simples, e os dois vencedores de cada lado da chave se enfrentam pelo ouro. Dois grupos de repescagem são formados por todos os lutadores que perderem para os finalistas em qualquer fase do torneio, e o ganhador de cada uma destas chaves conquista uma medalha de bronze.

Fonte: COI (Comitê Olímpico Internacional), COB (Comitê Olímpico do Brasil), Rio 2016, Fila (Federação Internacional de Lutas Associadas) e CBLA (Confederação Brasileira de Lutas Associadas) e “Os Arquivos das Olimpíadas” (Maurício Cardoso, Panda Books, 696 páginas).

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