Antes de tornar-se famoso como presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos, antecessora da CBF) e da Fifa, a entidade máxima do futebol mundial (1974-1998), João Havelange teve um histórico de atleta olímpico. Aos 100 anos, completados neste domingo (8), o brasileiro competiu em duas edições dos Jogos em modalidades diferentes, ambas na água.

Ótimo nadador na juventude, Havelange esteve  em Berlim 1936, quando tinha 20 anos. Disputou os 400 metros livre e os 1.500 metros livre. Dezesseis anos mais tarde, em Helsinque 1952, foi um dos jogadores da seleção de polo aquático – no ano anterior havia conquistado a prata da modalidade nos Jogos Pan-Americanos, em Buenos Aires.

João Havelange sem camisa, nos tempos de atleta

Reprodução

João Havelange (ao centro), nos tempos de atleta: foi aos Jogos de Berlim 1936 e Helsinque 1952

Em Berlim, foi eliminado na primeira fase das duas provas. Foi quarto colocado de sua bateria nos 400 m livre e quinto na bateria dos 1.500 m. Em Helsinque 1952, terminou a competição em 13° lugar entre 21 seleções. Na primeira fase, o Brasil perdeu seus três jogos, para Bélgica (3 x 1), Espanha (6 x 4) e África do Sul (9 x 2). Ao derrotar Portugal por 6 a 2, já sem chance de medalha, a equipe garantiu o 13° posto, empatada com Alemanha, Áustria e Argentina.

O que seria uma bela biografia esportiva acabou manchada por escândalos de corrupção

O que poderia ser uma das mais importantes biografias do esporte acabou manchada por escândalos de corrupção. Em 2011, alegando problemas de saúde, Havelange renunciou à posição que tinha no conselho do COI (Comitê Olímpico Internacional), o que evitou que fosse suspenso por causa do envolvimento com recebimento de propinas da ISL, empresa de marketing esportivo que foi parceira da Fifa. Dois anos depois, em 2013, renunciou também ao cargo de presidente de honra da federação de futebol, escapando de uma investigação por seu conselho de ética.

O pai de Havelange, belga como a mãe do ex-dirigente, foi comerciante de armas e era contra a carreira de atleta de João. Formado em direito, seguiu no esporte mesmo assim, desenvolvendo paralelamente atividades de empresário e dirigente esportivo. Antes de assumir a presidência da CBD, foi diretor de polo aquático do Botafogo e presidente da Federação Paulista de Natação (1949-1951) e da Federação Metropolitana de Natação (1952 a 1956).

João Havelange aos 94 anos

José Cruz/Agência Brasil

João Havelange em 2010, antes de, pressionado, renunciar aos cargos que tinha no COI e na Fifa

Havelange fez campanha ativamente pela escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. No dia da eleição, em 2009, fez um discurso em francês antes que começasse a votação, lembrando seu passado de atleta. “Em 1936, participei dos Jogos ao lado de nomes importantes como Jesse Owens [velocista americano vencedor dos 100 m rasos]. Vi que essa competição é capaz de mudar um país e a vida de muitas pessoas. Convido vocês a virem para minha cidade prestigiar os Jogos no meu centésimo aniversário. Peço que se juntem a mim para realizar este sonho”.

No ano anterior, disse em entrevista à “Folha de S.Paulo” que mandaria cartas aos 115 membros do COI pedindo apoio ao Rio e que tinha “todos os votos dos árabes, que são meus amigos, da África, alguns da Ásia e da Europa”.

Hoje, Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange pouco aparece em público e é citado raras vezes na imprensa, à exceção de quando tem algum problema de saúde ou seu nome aparece citado em casos de corrupção da Fifa. Apesar disso, afirmou à agência Associated Press, por meio de porta-voz, que estará na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, dia 5 de agosto.

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