A soviética Vera Caslavska com algumas de suas medalhas

Wikimedia Commons

A ginasta tcheca Vera Caslavska conquistou 11 medalhas nos anos 1960

Estas dez mulheres marcaram os seus nomes na história dos Jogos – de inverno e de verão – ao subir no pódio pelo menos uma dezena de vezes. Conheça na lista abaixo quem são as maiores medalhistas olímpicas de todos os tempos, usando como critério total de pódios na carreira e número de ouros, pratas e bronzes (nesta ordem) como desempate.

Larissa Latynina (URSS) 18 (9 ouros, 5 pratas, 4 bronzes)
Ginástica artística | 1956, 1960, 1964

Laryssa Latinina nos exercícios de solo em Tóquio 1964

Arquivo/COI

A ginasta soviética teve uma infância pobre na Ucrânia, mas seu talento para o balé e para a ginástica artística lhe transformaram em uma máquina de ganhar medalhas. Das 19 provas que disputou, conquistou medalhas em 18 delas – falhou apenas na trave em Melbourne 1956 -, incluindo um tricampeonato no solo que jamais foi igualado. Sua marca de atleta com mais pódios na história olímpica durou 48 anos e foi superada apenas em Londres 2012 pelo nadador americano Michael Phelps.

 Birgit Fischer (ALE)  12 (8 ouros, 4 pratas)
Canoagem de velocidade | 1980, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004

Birgit Fischer com medalhas conquistadas em Sydney 2000

Arquivo pessoal

Nascida na extinta Alemanha Oriental, é dona de uma das mais longevas carreiras olímpicas. Iniciou sua trajetória em Moscou 1980, quando tinha 18 anos, e competiu em uma modalidade de grande esforço físico até os 42 anos. Conquistou medalhas em todas as seis Olimpíadas que disputou – e poderiam ter sido sete, não fosse o boicote do bloco comunista aos Jogos de Los Angeles 1984. Em 2000, anunciou aposentadoria, mas voltou depois de três anos e conseguiu um ouro e uma prata em Atenas 2004.

 Jenny Thompson (EUA)  12 (8 ouros, 3 pratas, 1 bronze)
Natação | 1992, 1996, 2000, 2004

Jenny Thompson acena na piscina

Reprodução/USA Swimming

Dona de poucos resultados importantes em provas individuais – “apenas” uma prata e um bronze nos 100 metros livre -, a americana se destacou em revezamentos, com oito medalhas de ouro e duas de prata nas quatro edições que disputou. Nunca ter conseguido vencer uma prova olímpica individual é motivo de frustração admitida pela própria ex-atleta, campeã mundial dos 100 m livre e 100 m borboleta. Formada em medicina, depois de deixar as piscinas passou a trabalhar como anestesista pediatra.

 Dara Torres (EUA)  12 (4 ouros, 4 pratas, 4 bronzes)
Natação | 1984, 1988, 1992, 2000, 2008

Dara Torres acena na piscina em Pequim 2008

Flickr/Bryan Allison

Raros são os nadadores que conseguem resultados de alto nível depois dos 30 anos. E que tal depois dos 40? Dara conseguiu as três últimas de suas 12 medalhas olímpicas quando tinha 41 anos. E todas em provas de velocidade, que exigem enorme explosão muscular. Sua carreira olímpica começou em 1984, com ouro no revezamento 4 x 100 metros livre. Foi nas provas por equipes que conseguiu seus quatro ouros. É apenas um dos três atletas na história a ter ao menos quatro medalhas de cada cor.

 Natalie Coughlin (EUA)  12 (3 ouros, 4 pratas, 5 bronzes)
Natação | 2004, 2008, 2012

Natalie Coughlin nadando os 100 metros costas

Reprodução/USA Swimming

A especialista em nado costas e livre despontou no cenário internacional quando tinha apenas 18 anos e conquistou um ouro e um bronze no Mundial de 2001. Em sua primeira Olimpíada, Atenas 2004, levou para casa cinco medalhas, incluindo ouro nos 100 m costas (com recorde olímpico) e no revezamento 4 x 200 m livre. Ao todo, disputou 12 provas e subiu no pódio em todas, empatando com o finlandês Paavo Nurmi (1920, 1924, 1928) como atletas com 100% de aproveitamento em mais provas disputadas.

 Vera Caslavska (TCH)  11 (7 ouros, 4 pratas)
Ginástica artística | 1960, 1964, 1968

Vera Caslavska na trave em Tóquio 1964

Arquivo/COI

Foi contemporânea de Larissa Latynina, com quem rivalizou principalmente em 1964. Com a maior adversária aposentada, dominou a ginástica artística em 1968 e sua marca foi além de quatro medalhas douradas na Cidade do México. Ao dividir o ouro da prova do solo com a soviética Larissa Petrik, não olhou no pódio para a bandeira da União Soviética, que meses antes do evento havia invadido Praga, capital da Tchecoslováquia. No retorno para casa, foi impedida de voltar a competir.

 Marit Bjorgen (NOR)  10 (6 ouros, 3 pratas, 1 bronze)
Esqui cross country | 2002, 2006, 2010, 2014

A esquiadora norueguesa Marit Bjorgen durante os Jogos de inverno de Vancouver 2010

Wikimedia Commons

Depois de duas participações com “somente” duas medalhas de prata, a norueguesa transformou-se a partir de Vancouver 2010 em uma das mais importantes atletas dos esportes de inverno, com três ouros, uma prata e um bronze. Em 2014, conseguiu ainda mais três ouros, para ocupar o terceiro lugar entre os atletas que mais vezes subiram no pódio nos Jogos de inverno. Uma carreira brilhante de uma atleta que superou a limitação decorrente da asma e problemas estomacais derivados do uso de antibióticos.

 Ágnes Keleti (HUN)  10 (5 ouros, 3 pratas, 2 bronzes)
Ginástica artística | 1952, 1956

Rosto da ginasta húngara Ágnes Keleti

Reprodução

A carreira da melhor ginasta dos anos 1950 quase não existiu por causa da Segunda Guerra. Judia, Ágnes perdeu o pai no campo de concentração de Auschwitz e só sobreviveu porque foi escondida por Raoul Wallenberg, diplomata sueco que salvou a dezenas de judeus. Depois da guerra, dedicou-se à musica, tocando violoncelo profissionalmente, e marcou seu nome na história olímpica. Em Melbourne 1956, recebeu asilo na Austrália e mais tarde foi morar em Israel, onde treinou a seleção feminina de ginástica.

 Polina Astakhova (URSS)  10 (5 ouros, 2 pratas, 3 bronzes)
Ginástica artística | 1956, 1960, 1964

A ginasta Polina Astakhova durante os Jogos de Tóquio 1964

Arquivo/COI

Na infância, a soviética teve de lidar com dois grandes problemas: a Segunda Guerra Mundial, que eclodiu quando Polina ainda tinha 2 anos de idade, e a tuberculose. Nascida na Ucrânia, usou os traumas de criança para se fortalecer como atleta e tornar-se uma gigante olímpica: ao lado de Larissa Latynina, fez parte da equipe da União Soviética que conquistou a medalha de ouro por equipes três vezes consecutivas, em 1956, 1960 e 1964. Nenhuma outra igualou o feito.

10  Raisa Smetanina (URSS)  10 (4 ouros, 5 pratas, 1 bronze)
Esqui cross country | 1976, 1980, 1984, 1988, 1992

Raisa Smetanina durante prova em Calgary 1988

Arquivo/COI

A longa carreira da atleta soviética proporcionou que Raisa se tornasse a mais velha campeã dos Jogos de inverno, ao conquistar o ouro no revezamento 4 x 5 quilômetros quando estava a dias de completar 40 anos. Nascida próxima aos Montes Urais, região extremamente fria da Rússia, é filha única e decidiu permanecer solteira durante toda a carreira para dedicar-se apenas ao esqui. Foi ainda a primeira mulher a conquistar dez medalhas nas Olimpíadas de inverno.

Bikpek

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