Brasileiro Senior de wrestling em Duque de Caxias

Ricardo Sette/CBW

O wrestling fez sua estreia rebatizando a luta olímpica no Brasileiro realizado em Duque de Caxias (RJ)

Disputado no início de outubro em Duque de Caxias (RJ), o Campeonato Brasileiro de lutas apresentou algumas novidades significativas para os torcedores de um dos esportes mais antigos que existem.  A mais importante destas mudanças foi rebatizar a modalidade como wrestling. Assim, o Brasil passa a seguir o modelo internacional com o qual o esporte é conhecido em todo o mundo. Mas qual a razão para se adotar no país um termo em inglês a uma modalidade que já é praticada por aqui desde a década de 40?

A origem está na crise pela qual a luta olímpica, como o esporte também era chamado, passou em 2013. Naquele ano, o COI (Comitê Olímpico Internacional) chegou a retirá-la provisoriamente (assim como suas respectivas modalidades livre e greco-romana) do programa esportivo dos Jogos. Os motivos foram a falta de maior quantidade de categorias femininas, dificuldades no entendimento das regras e a crescente falta de interesse dos torcedores.

Confirmada como esporte olímpico na Assembleia Geral do COI em setembro de 2013, a Fila (Federação Internacional de Lutas Associadas) iniciou as reformas necessárias, começando pela própria casa. Em setembro de 2014, foi definida a mudança no nome da entidade internacional, que agora se chama Union World Wrestling, em inglês (UWW). O Brasil também seguiu na mesma linha e em 2015 passou a usar provisoriamente a logomarca CBW (Confederação Brasileira de Wrestling), nova nomenclatura da entidade, adotada oficialmente na assembleia realizada em maio de 2016.

“Achamos conveniente seguirmos o mesmo caminho, uma vez que aqui no Brasil, havia muita confusão com o uso da terminologia ‘lutas’, por se tratar de um termo genérico e extremamente abrangente. Sempre nos confundiam com os demais esportes de luta praticados nos Jogos Olímpicos, como judô, boxe e taekwondo, e internamente a terminologia era confundida também com a Luta Livre desportiva, outra modalidade bastante difundida no Brasil”, explicou ao Bikpek o presidente da CBW, Pedro Gama Filho.

Brasileiro de wrestling em Duque de Caxias

Ricardo Sette/CBW

A antiga CBLA passou a se chamar CBW de forma oficial após assembleia da entidade em maio de 2016

Aos 41 anos e um dos integrantes do comitê executivo da UWW até as Olimpíadas de Tóquio 2020, o dirigente disse que dentro da confederação brasileira, a decisão de seguir a mesma terminologia internacional do nome da modalidade ocorreu sem receio de que exista algum tipo de rejeição pelo nome em inglês.

“Acredito e espero que não. A modalidade é conhecida por grande parte da comunidade de lutas já como wrestling devido ao fenômeno do MMA e dos diversos campeões da escola americana no esporte. Isso certamente pode ajudar na implantação da cultura e da divulgação correta do nome da modalidade, evitando as diversas confusões que aconteciam anteriormente, apesar da pronúncia dificultada”, afirmou Gama Filho.

Nova regra

Outra mudança pós-Rio 2016 no wrestling ocorreu em uma importante regra no estilo greco-romano. A partir de agora, não existe mais a punição “par terre”, que é aquela na qual o atleta que comete estilo passivo no combate tinha que ficar na posição de quatro apoios (joelhos e braços no solo), com as costas expostas ao adversário.

Ela foi substituída por uma punição verbal e se a passividade do adversário continuar, o rival receberá um ponto. Ela ocorrerá em três etapas: a primeira chamada ao lutador passivo será um aviso verbal, sem parar a luta; a segunda haverá um aviso de passividade; e por fim, caso o lutador mantenha a postura passiva, o árbitro concederá um ponto ao adversário, sempre sem interromper o combate.

luta greco-romana

UWW/Divulgação

A punição do "par terre" foi extinta na modalidade greco-romana a partir deste novo ciclo olímpico

O objetivo da mudança é tornar os embates dinâmicos. Nas Olimpíadas do Rio 2016, as cinco categorias do estilo greco-romano foram decididas a partir da posição do “par terre”. Com a extinção da punição, os atletas terão que buscar ainda mais o combate, facilitando o aumento das projeções e contribuindo ainda mais para a plasticidade do esporte, segundo definição do site oficial da CBW.

“Esta mudança irá incentivar a ida para a luta de chão unicamente através de situações de combate”, afirmou Pedro Gama Filho. “É uma mudança importante para o esporte. A dinâmica do combate mudará e a luta terá menos interrupções” explicou o árbitro olímpico brasileiro Eduardo Paz Gonçalves.

Marcelo Laguna

Marcelo Laguna

Editor

Marcelo Laguna é jornalista especializado em esportes e cobre Olimpíadas desde 1984 - foi como enviado especial em Atlanta 1996, Sydney 2000, Londres 2012 e Rio 2016. É um dos cofundadores do Bikpek e crê que um dia o Brasil deixará de ter uma monocultura esportiva.

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