Michael Phelps em ação no nado borboleta, um dos estilos que compõe o medley

USA Swimming

Michael Phelps ganhou oito de suas 22 medalhas olímpicas no medley

As provas mais complexas da natação, um dos esportes considerados como base no programa esportivo dos Jogos Olímpicos, são aquelas que incluem os quatro estilos, ou medley, como são chamadas as disputas de 200 m e 400 m, além do revezamento 4 x 100 m medley. Seria possível até dizer que estas são competições para nadadores completos, pois o atleta precisa mostrar competência no nado livre, peito, borboleta e costas. O que poucos sabem é que as provas em quatro estilos são disputadas há menos tempo do que se possa imaginar.

Embora a natação seja praticada há milênios, desde a Grécia antiga, as provas de medley são bem mais novas. “Os 200 m e 400 m medley são aprovados pela Fina [Federação Internacional de Natação] desde 1956, quando foram reconhecidos seus primeiros recordes mundiais. Isso ocorreu em virtude da oficialização do nado borboleta, que é o estilo mais recente”, explica Alexandre Pussieldi, técnico de natação e comentarista da modalidade para o “Sportv”. Ele ainda assina o Blog do Coach no “globoesporte.com” e edita o site especializado Best Swimming.

Mas mesmo antes da oficialização do medley, uma prova nestes moldes foi realizada na primeira edição dos Jogos Pan-Americanos, realizada em Buenos Aires (ARG), em 1951: um inusitado revezamento 3 x 100 m medley, reunindo os estilos costa, peito e crawl (livre). “Foi a primeira e única ocasião em que esta prova foi disputada. Nem em Pan-Americanos isso voltou a acontecer”, diz Pussieldi.

Segundo ele, o reconhecimento do medley como uma das provas recorrentes na natação demorou a acontecer em virtude de uma confusão entre os estilos peito e borboleta, ainda na década de 50. “Antes, estes dois tipos de nado acabavam se confundindo. Na América do Sul, a primeira atleta a nadar o peito com a braçada de recuperação aérea foi a brasileira Maria Lenk”, explica Pussieldi

A estreia do medley em competições oficiais foi no Pan-Americano de 1959, em Chicago (EUA)

A braçada de recuperação aérea é aquela em que o nadador projeta o corpo para fora da água. No caso do nado peito, a parte de cima do tronco é projetada para cima, enquanto que no estilo borboleta, o movimento é feito para frente. Com a confusão desfeita, os dois estilos se tornaram provas separadas, abrindo espaço para a criação do medley.

Assim, a primeira competição internacional que recebeu a nova prova acabou acontecendo em 1959, durante os Jogos Pan-Americanos de 1959, ocasião em que o 4 x 100 m medley foi disputado já em sua configuração atual de sequência de estilos (costa, peito, borboleta e livre). A experiência foi tão bem-sucedida que a Fina acabou incluindo a disputa no programa esportivo dos Jogos Olímpicos de Roma 1960, tanto para homens como para as mulheres.

Satiro Sodré/SSPress

Etiene Medeiros no nado costas, que abre a sequência do medley

Nos Jogos seguintes, realizados em Tóquio 1964, começaram as disputas das provas de 400 m medley (masculino e feminino), a mesma na qual os brasileiros Ricardo Prado e Thiago Pereira faturaram duas medalhas de prata, em Los Angeles 1984 e Londres 2012, respectivamente. Por fim, as últimas provas de medley a integrarem o programa olímpico de esportes foram os 200 m medley masculino e feminino, durante as Olimpíadas de 1968, na Cidade do México.

Um outro detalhe sobre o medley diz respeito à distância que cada estilo é utilizado nas provas. Nos 200 medley, o nadador utiliza um estilo a cada 50 m, ou seja, completando o percurso em uma piscina no tamanho olímpico (só ida ou só volta). Já nos 400 medley, cada estilo é feito percorrendo duas piscinas (100 m, ida e volta).

Marcelo Laguna

Marcelo Laguna

Editor

Marcelo Laguna é jornalista especializado em esportes e cobre Olimpíadas desde 1984 - foi como enviado especial em Atlanta 1996, Sydney 2000, Londres 2012 e Rio 2016. É um dos cofundadores do Bikpek e crê que um dia o Brasil deixará de ter uma monocultura esportiva.

search-sample