A Rio 2016 pode ser especial para um pequeno país bem distante do Brasil. Fiji, um arquipélago na Oceania formado por 332 ilhas e menor que o estado de Sergipe poderá entrar na tarde desta quinta-feira (11) para o grupo de nações que já conquistaram medalha olímpica. Mais que isso: a primeira medalha tem boa chance de ser dourada. Os fijianos disputam as semifinais do rúgbi, que fez volta ao programa depois de 92 anos.

Se conseguir subir no pódio, Fiji encerrará uma espera que começou 60 anos atrás, quando em Melbourne disputou pela primeira vez os Jogos. Em 1956, o país banhado pelo oceano Pacífico foi representado por cinco atletas da vela, do boxe e do atletismo. Ao todo, o arquipélago disputou apenas 12  esportes nestas seis décadas.

Fiji contra a Argentina no rúgbi de sete na Rio 2016

Rio 2016

Fiji (de branco) contra a Argentina: país sonha em encerrar 60 anos de espera pela medalha olímpica

O rúgbi, porém, tem papel importante na história esportiva de Fiji. O país, que disputa regularmente a Copa do Mundo da modalidade sem grandes resultados, é uma potência do rúgbi de sete, a versão olímpica do esporte. Foi vencedora das últimas temporadas da World Series, que reúne as principais forças do esporte, e foi campeã ou vice em oito das 17 edições. Os fijianos estão à frente de países com mais tradição: África do Sul, Argentina, Austrália Grã-Bretanha e Nova Zelândia, que já foi até derrotada por Fiji na Rio 2016.

“Os Jogos Olímpicos são a Meca dos esportes, mas não podemos nos deixar influenciar. Nossa meta é encarar cada jogo como uma decisão”, diz Osea Kolinisau, capitão da seleção de Fiji, que vê na espiritualidade da equipe uma das armas para conseguir a tão sonhada medalha inédita. “Deus é nossa fonte de energia. A fé sem trabalho de nada adianta. Por isso, precisamos trabalhar duro para que o nosso trabalho seja recompensado pelo Senhor”, afirma o jogador de 30 anos.

O sonho da medalha

O arquipélago localizado na Oceania não está sozinho na busca pela inédita medalha olímpica. Outras 60 nações que estão no Rio ainda em subir no pódio pela primeira vez – a maior parte deles sem qualquer chance. A lista vai desde a Bolívia, que soma 14 participações nos Jogos desde 1936, até países mais jovens, como a Bósnia-Herzegóvina, nascida em 1992 depois da dissolução da Iugoslávia e aceita como membro do COI (Comitê Olímpico Internacional) em 1993. Albânia e Angola são outros dois que integram o time dos sem-medalha.

Antes dos Jogos do Rio de Janeiro, a relação dos sem-medalha tinha um membro a mais. O Kosovo, aceito pelo COI para participar da Rio 2016 há somente dois anos – e país que ainda não é reconhecido pelo Brasil -, conquistou sua primeira medalha logo na primeira participação e com um ouro, fruto do talento da judoca Majinda Kelmendi, bicampeã mundial – e agora campeã olímpica – na categoria até 52 kg.

Kosovo levou medalha na primeira participação, e Ruanda e Santa Lúcia têm motivo pra sonhar

Ainda que a chance não seja tão grande, outro país sonha em integrar a relação dos medalhistas olímpicos é Ruanda, que joga suas esperanças na fundista Salome Nyirarukundo. A jovem estudante de computação e economia tem 18 anos e tenta ser a heroína do país africano que ficou mundialmente conhecido pelo genocídio que matou cerca de 800 mil pessoas 1994. Recordista mundial sub-20 dos 5.000 m, ela disputa também os 10.000 m já nesta sexta-feira (12).

Santa Lúcia, ilha localizada no Caribe e 36 vezes menor que Fiji, deposita seu sonho de medalha no salto em altura. Levern Spencer já é uma veterana de 32 anos, mas tem 1,98 m como sua melhor marca pessoal, evoluiu muito no atual ciclo olímpico e pode ser beneficiada pela suspensão do atletismo da Rússia, sempre forte na prova.

O sonho da medalha continua distante para a maioria dos 60 países que nunca subiram no pódio olímpico. Mas Fiji, Ruanda e Santa Lúcia se permitem sonhar. E, nos Jogos, o sonho pode valer ouro, prata ou bronze.

Marcelo Laguna

Marcelo Laguna

Editor

Marcelo Laguna é jornalista especializado em esportes e cobre Olimpíadas desde 1984 - foi como enviado especial em Atlanta 1996, Sydney 2000, Londres 2012 e Rio 2016. É um dos cofundadores do Bikpek e crê que um dia o Brasil deixará de ter uma monocultura esportiva.

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