Nesta quinta-feira (21), o fogo olímpico será aceso na Grécia para iniciar o revezamento da tocha até o Rio de Janeiro, onde a pira será acesa dia 5 de agosto, na cerimônia de abertura de abertura dos Jogos. A tradição de passar a chama de mão em mão completa 80 anos e o ex-jogador de vôlei Giovane Gávio, bicampeão olímpico (1992-2004) será o primeiro brasileiro a carregar a tocha, ainda na Grécia. O Bikpek selecionou oito das melhores histórias envolvendo o revezamento, que você lê abaixo.

Berlim 1936 – O primeiro revezamento

Foi Carl Diem, secretário-geral do comitê organizador dos Jogos, quem criou o revezamento da tocha olímpica a partir de Olímpia, na Grécia, onde é acesa. A ideia conquistou Adolph Hitler, eleito chanceler três anos antes, porque supostamente seria uma boa propaganda nazista – Hitler desejava usar os Jogos para mostrar ao mundo sua infame ideia de superioridade ariana. Mais de 3 mil pessoas carregaram a tocha por sete países: Grécia, Bulgária, Iugoslávia, Hungria, Áustria, Tchecoslováquia e Alemanha.

Dois homens durante o revezamento da tocha olímpica em 1936

Arquivo/Life

O primeiro revezamento da tocha, em 1936. Note na porta do carro o mapa com o caminho até Berlim

Londres 1948 – Em nome da paz

Os Jogos Olímpicos voltavam depois de um intervalo de 12 anos, com a Europa ainda destruída pela Segunda Guerra Mundial. Por isso, o revezamento da chama em 1948 foi feito como mensagem de paz. O primeiro carregador, o grego Corporal Dimitrelis, tirou seu uniforme militar antes de receber a tocha, lembrando a trégua promovida na Grécia Antiga durante os Jogos. Um total de 1.416 corredores participaram do revezamento, que passou por 12 países até chegar à capital inglesa.

O atleta britânico John Mark carrega a tocha para acender a pira olímpica em Londres

Arquivo/COI

O atleta britânico John Mark carrega a tocha para acender a pira em Londres: revezamento pela paz

Oslo 1952 – O fogo na neve

O revezamento da tocha passou a ser realizado nos Jogos de inverno 16 anos depois de ser criado em Berlim.  À diferença do que acontece tradicionalmente, o fogo olímpico não foi aceso em Olímpia, na Grécia, berço dos Jogos na antiguidade, mas no vale de Morgedal, na Noruega, onde nasceu o esqui, o mais famoso esporte disputado na neve.  A chama foi acesa na lareira de um chalé que pertenceu a Sondre Norheim (1825-1897), pai do esqui moderno e figura lendária no país.

Eigil Nansen acende a pira olímpica dos Jogos de Inverno de 1952

Arquivo/COI

Eigil Nansen, filho de um dos idealizadores do Unicef, acende a pira Jogos de Inverno de 1952, em Oslo

Tóquio 1964 – o filho de Hiroshima

Yoshinori Sakai era conhecido como Hiroshima Baby por ter nascido dia 6 de agosto de 1945, na data e na cidade onde explodiu a bomba atômica lançada pelos Estados Unidos. Coube a ele acender a pira olímpica como símbolo de paz e esperança. Durante o trajeto, o fogo olímpico enfrentou até um tufão em Hong Kong, o que causou um dia de atraso na chegada ao país que receberia os Jogos. Em território japonês, a tocha foi carregada apenas por jovens de 16 a 20 anos, não necessariamente atletas.

Yoshinori Sakai acende a pira em Tóquio

Arquivo/COI

Yoshinori Sakai, nascido em Hiroshima no dia da explosão da bomba, acende a pira em Tóquio 1964

Cidade do México 1968 – Finalmente uma mulher

Pela primeira vez coube a uma mulher, a atleta Enriqueta Basilio, acender a pira. Também pela primeira vez os Jogos Olímpicos foram disputados na América, mas não nos EUA. O revezamento da tocha reproduziu passos da vida de Cristóvão Colombo, numa tentativa de mostrar a conexão entre latino-americanos e os povos mediterrâneos.  Passou por Gênova, cidade-natal do navegador italiano, Pasos de la Frontera, na Espanha, de onde sua esquadra saiu, e San Salvador, nas Bahamas, que acredita-se ter sido o primeiro local do “Novo Mundo” avistado por Colombo.

Enriqueta Basilio corre com a tocha para acender a pira olímpica

Arquivo/COI

Aos 20 anos, a atleta Enriqueta Basilio tornou-se em 1968 a primeira mulher a acender a pira olímpica

Seul 1988 – As pombas queimadas

Centenas de pombas brancas foram soltas durante a cerimônia de abertura. Ah, que bonito, o símbolo da paz sobrevoando o estádio olímpico na capital sul-coreana.  Bem, mas as aves acharam boa ideia pousar dentro e na borda da pira olímpica, que, quando foi acesa, matou queimadas um monte deles. Tudo mostrado ao vivo pela TV. Houve protestos e apenas mais duas vezes pombas vivas foram usadas em cerimônias olímpicas, em Barcelona 1992 e nos Jogos de Inverno de 1994, em Lillehammer.

Barcelona 1992 – A flecha fora do alvo

O arqueiro Antonio Rebollo, duas pratas e um bronze em Jogos Paraolímpicos, foi o responsável por acender o fogo que queimaria durante as duas semanas seguintes. Com uma flecha em chamas, disparou em direção à pira, que acendeu quando foi atingida. Hum, mas não foi bem assim: na verdade, soube-se depois que a flecha não caiu dentro da pira, mas a acendeu ao passar por cima e atravessar uma intensa nuvem de gás. A flecha caiu atrás do estádio olímpico, mas a beleza e a criatividade ficaram gravadas na história.

Pequim 2008 – Longa jornada de protestos

Para chegar à capital chinesa, a tocha fez sua mais longa viagem: foram 137 mil quilômetros passando por todos os continentes, pelo topo do monte Everest e pela primeira vez pela Coreia do Norte. Em muitos momentos do trajeto, o revezamento enfrentou protestos contra o domínio chinês no Tibete, a favor dos direitos humanos e em defesa dos animais. O ex-ginasta Li Ning, três ouros olímpicos, acendeu a pira suspenso em cordas que lhe levaram para uma volta pelo estádio Ninho de Passáro.

Rodrigo Borges

Rodrigo Borges

Editor

Jornalista desde 1997, com passagens por Lance!, Destak e ESPN. Mora desde 2015 em Londres, onde trabalha como freelancer para diversas publicações brasileiras, função que já exerceu também em Nova York. É um dos cofundadores do Bikpek.

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