Zahra Nemati na rodada de classificação da Rio 2016

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Zahra Nemati na rodada de classificação do tiro com arco na Rio 2016

Zahra Nemati entrou para a história no desfile de abertura da Rio 2016 ao ser a primeira mulher a carregar a bandeira do Irã. E não somente por isso: cadeirante, ela entrará nesta segunda-feira (9), para um seleto grupo de atletas paraolímpicos que disputaram também os Jogos Olímpicos.

Como muitas crianças e adolescentes, Zahra Nemati sonhava desde cedo em disputar Jogos Olímpicos.  Se dedicava ao taekwondo, que entrou para o programa dos Jogos em Sydney 2000. Três anos depois, com apenas 18 anos, Zahra teve as pernas paralisadas em um acidente de carro. O sonho do taekwondo havia acabado, mas o sonho olímpico, não. E a atleta iraniana decidiu dedicar-se ao tiro com arco.

Aos 31 anos, Zahra defenderá no Rio sua medalha de ouro nos Jogos Paraolímpicos, e pela primeira vez disputará uma Olimpíada. “Quero fazer felizes as pessoas que estão em volta de mim e mostrar que é possível ser forte mesmo enfrentando grandes problemas”, diz.

Zahra Nemati na Rio 2016

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A tragédia de Zahra Nemati, que era lutadora de taekwondo, não tirou a iraniana do sonho olímpico

O caso de Zahra, embora não seja comum, não é inédito: atletas com algum tipo de deficiência física que conseguem se classificar para disputa dos Jogos Olímpicos. O mais recente deles foi o sul-africano Oscar Pistorius, dono de quatro ouros paraolímpicos em provas de 100 m, 200 m e 400 m, e que participou dos dois eventos em Londres 2012 – hoje ele cumpre pena de seis anos de prisão pelo assassinato da namorada em 2013.

No passado há outros exemplos: em Londres 1948, o americano Joe DiPietro conquistou uma medalha de ouro no levantamento de peso. Ele era um anão, tinha 1,40 m de altura. O atirador Karoly Takacs foi bicampeão olímpico na pistola de fogo rápida 25 m mesmo depois de perder a mão direita numa explosão de granada em 1938, durante um treinamento militar. O húngaro conquistou seus ouros também em Londres 1948 e Helsinque 1952.

O americano Joe DiPietro e o húngaro Takacs Karoly

Arquivo/Life e Wikimedia Commons

O americano Joe DiPietro e o húngaro Takacs Karoly, dois atletas campeões olímpicos em Londres 1948

Zahra se junta assim a um time pequeno e inspirador para milhões com as mesmas condições. “Estar em uma cadeira de rodas não define a pessoa que eu sou”, afirma.

E sua causa é não apenas por quem está em cadeiras de rodas, mas também pelas mulheres. “Depois de Londres, eu quis mostrar para a juventude, especialmente as garotas, que as mulheres iranianas não são piores que as outras. Eu luto para quebrar estereótipos”, diz. Alguma dúvida de que ela pode conseguir?

Rodrigo Borges

Rodrigo Borges

Editor

Jornalista desde 1997, com passagens por Lance!, Destak e ESPN. Mora desde 2015 em Londres, onde trabalha como freelancer para diversas publicações brasileiras, função que já exerceu também em Nova York. É um dos cofundadores do Bikpek.

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